Archive for the 'Notoriedades' Category



Frank Herbert

“O início do conhecimento é a descoberta de qualquer coisa que não entendemos.”

Frank Herbert

Frank Herbert

Na data em que passam 26 anos da sua morte, evocámos um escritor americano que ficou célebre pela saga de ficção científica “Dune”, uma das mais apreciadas, complexas e marcantes obras de sempre no género, valendo ao seu autor os Prémios Nébula e Hugo e que, não só foi convertida ao cinema por David Lynch, como deu origem a vários videojogos.

Esta obra-prima, acabada em 1965, foi primeiro rejeitada por vários editores, até que uma pequena editora de Filadélfia arriscou a publicação de “Dune”, que de imediato obteve grande êxito junto da crítica, mas demorou algum tempo antes de se converter em best-seller mundial.

Desde muito jovem que ambicionava ser escritor, mas, até poder dedicar-se por inteiro a esta arte, desempenhou vários empregos precários, como operador de câmara de TV, comentador de rádio, apanhador de ostras, instrutor de sobrevivência na selva, psicanalista, professor de escrita criativa, ou repórter e editor. Aprendeu escrita criativa na Universidade de Washington, embora nunca tenha conseguido graduar-se, pois não estudava de forma consistente.

A sua prolífica obra literária, que o tornou um autor de culto, atraindo seguidores fanáticos, abarca uma abrangência temática muito diversificada e interligada, explorando ideias complexas envolvendo filosofia, psicologia, religião, política e ecologia e revelando, de forma marcante, a sua fascinação pelas questões da sobrevivência humana e da evolução.

Bibliografia de Frank Herbert

Júlio Verne

“Podemos violar as leis humanas, mas não as da natureza.”

Júlio Verne

Júlio Verne

Foi um dos maiores escritores franceses e o pioneiro da ficção científica. Depois de se ter diplomado em Letras e Direito, prosseguiu os seus estudos em Paris. Dedicou-se então ao teatro e ocupou o posto de secretário do Teatro Lírico até 1854, fazendo encenar peças por ele escritas em colaboração com Michel Carré.

Conheceu personalidades importantes da literatura francesa suas contemporâneas, como Victor Hugo e Alexandre Dumas Filho.

O carácter visionário da sua obra pode ser bem notado em obras como “A Ilha Misteriosa” e “Vinte Mil Léguas Submarinas“, romance este em que o carismático Capitão Nemo profetizava a pirataria submarina alemã da Segunda Guerra Mundial.

Relembramos Júlio Verne, quando passam 184 anos do seu nascimento.

Bibliografia de Júlio Verne

Charles Dickens

“Cada fracasso ensina ao homem que tem algo a aprender.”

Charles Dickens

Charles Dickens

Foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.

Ainda novo, foi enviado para trabalhar numa fábrica onde se deparou com condições miseráveis, assim como com a sua própria solidão e desespero. Após três anos, regressou à escola, mas essa experiência nunca foi esquecida e acabou por ficar retratada em dois dos seus mais conhecidos romances, “David Copperfield” e “Grandes Esperanças“.

Para além de inúmeros romances, publicou crónicas semanais, escreveu livros de viagens e geriu organizações de caridade. Foi também um grande entusiasta de teatro; redigiu peças e, inclusive, desempenhou papéis perante a Rainha Vitoria em 1851. A sua energia era inesgotável e passou muito tempo no estrangeiro, onde dava conferências, por exemplo, contra a escravatura nos Estados Unidos da América.

Separou-se da sua mulher em 1858, após o nascimento do seu décimo filho. Morreu em 8 de Junho de 1870.

No bicentenário do seu nascimento, relembramos Charles Dickens.

Charles Dickens foi muito amado pela sua grande contribuição para a Literatura Clássica. As suas histórias épicas, com personagens ricas e descrições exaustivas da vida contemporânea, são inesquecíveis.” (traduzido de www.bbc.co.uk)

Bibliografia de Charles Dickens

Paul Auster

“A literatura é essencialmente solidão. Escreve-se em solidão, lê-se em solidão e, apesar de tudo, o acto de leitura permite uma comunicação entre dois seres humanos.”

Paul Auster

Paul Auster

Novelista, ensaísta, tradutor e poeta, após ter terminado a faculdade, mudou-se para França, onde começou a traduzir obras de escritores franceses, como André Breton, Paul Éluard, Stéphane Mallarmé, Sartre ou Blanchot, de quem era admirador confesso. Paralelamente à tradução, escreveu para alguns jornais americanos uma série de histórias a que chamou “The New York Triology” e assim começaram os seus primeiros passos na escrita.

Considerado um nome cimeiro da literatura dos nossos dias e um autor de culto, muito consagrado e premiado, designadamente com o Prémio Príncipe das Astúrias de Literatura de 2006, viu a sua obra “Leviathan” receber, em 1993, o Prémio Médicis, para o melhor romance estrangeiro. “As Loucuras de Brooklyn” recebeu, em 2006, o Prémio “Qué Leer de los Lectores“, distinção também já antes dada, em 2004, a “A Noite do Oráculo“.

Também se dedicou ao cinema, como argumentista e realizador e, em 1998, realizou o seu primeiro filme a solo, “Lulu on the Bridge“, com argumento seu, sendo evidente a influência cinematográfica norte-americana nos seus livros, que se desenrolam numa sucessão que faz lembrar um thriller.

Falamos de Paul Auster quando festeja o seu 65.º aniversário.

Bibliografia de Paul Auster

Meg Cabot

Meg Cabot

Meg Cabot

Formou-se em Artes na Universidade de Indiana e, mais tarde, mudou-se para Nova Iorque, com a intenção de seguir uma carreira de ilustradora. Mas a ilustração, entretanto, cedeu lugar à sua verdadeira paixão, a escrita, para o que conseguiu um emprego de assistente administrativa num alojamento de estudantes universitários e escrevia sempre que tinha oportunidade para tal. Os primeiros dos seus vários romances históricos foram escritos sob o pseudónimo de “Patrícia Cabot“.

É autora de 60 livros para adolescentes e adultos, muitos dos quais bestsellers, mais notavelmente a série “O Diário da Princesa“, publicada em 38 países e pela qual ficou mundialmente conhecida e que deu origem a dois filmes da Disney, ambos sucessos de bilheteira.

Falamos de Meg Cabot, quando festeja o seu 45.º aniversário.

Bibliografia de Meg Cabot

Kenzaburo Oe

Kenzaburo Oe

Kenzaburo Oe

Após ter concluído o seu curso em Literatura Francesa, em 1959, começou a escrever sobre a sua infância, quando a II Guerra Mundial povoava a sua mente de horror e excitação. Os seus primeiros trabalhos expressaram a degredação e desorientação causadas pela rendição do Japão no final do conflito militar.

Kenzaburo quis experimentar com a linguagem, criar uma nova forma de expressão literária, uma forma que retratasse as mudanças sociais e psicológicas sofridas pelo Japão, enquanto lutava com as limitações pessoais de um homem novo e tímido, oriundo do campo, que gaguejava e falava com forte sotaque rural.

O autor, que lidou com frequência com marginais e individuos rejeitados pela sociedade, fez dessa experiência um dos temas mais presentes nas suas obras. Outro dos seus temas centrais, partilhado com outros escritores japoneses, foi o conflito entre a tradição e a nova moderna cultura ocidental.

Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1994, o júri qualificou Kenzaburo Oe como “aquele que com força poética cria um mundo imaginário, onde vida e mito se condensam para formar uma imagem desconcertante da condição humana de hoje.”

Falamos de Kenzaburo Oe quando festeja o seu 77.º aniversário.

Bibliografia de Kenzaburo Oe

Romain Rolland

“Quando a ordem é injusta, a desordem é já um princípio de justiça.”

Romain Rolland

Romain Rolland

Relembrámos hoje, no 146.º aniversário do seu nascimento, um autor francês, galardoado com o Prémio Nobel de Literatura em 1915, como “tributo ao superior idealismo da sua produção literária e à compaixão e amor pela verdade com que descreveu diferentes tipos de seres humanos”, nas palavras do Júri da Fundação Sueca.

Romancista, ensaísta e biógrafo, mas também estudioso e crítico musical, foi professor universitário em Paris, de História da Arte e de História da Música, antes de se dedicar exclusivamente à escrita, dado que não gostava de ensinar, devido ao seu carácter solitário, introvertido e pouco sociável.

Apoiante inicial da revolução Bolchevique, tornou-se depois acérrimo contestatário do estalinismo, como também dos regimes fascista e nazi, apesar de não ter sido incomodado politicamente, tendo-se isolado completamente durante a ocupação alemã de França. Ficou famoso sobretudo pelo seu pacifismo militante, para o que terá contribuído a sua biografia de Gandhi, que conhecera em 1931.

Na sua obra, onde concilia o idealismo patriótico com um internacionalismo humanista, destaca-se a saga Jean-Christophe, inicialmente publicada em 10 volumes, cujo personagem principal, um músico alemão, reflecte muito da personalidade e do idealismo do autor.

Bibliografia de Romain Rolland

J. D. Salinger

“O que distingue o homem insensato do sensato é que o primeiro anseia morrer orgulhosamente por uma causa, enquanto o segundo aspira viver humildemente por ela.”

J. D. Salinger

J. D. Salinger

É um dos nomes mais importantes da literatura norte-americana do século XX. Com o êxito da sua maior obra “À Espera no Centeio“, o autor viveu desde 1953 até à sua morte, isolado do mundo, no topo de uma montanha, numa cidade de mil habitantes, Cornish.

Conhecido pela sua personalidade extremamente tímida, não concedia entrevistas e não se deixava fotografar, nunca permitiu que qualquer obra sua fosse adaptada ao cinema, de que não gostava e, após o sucesso de “À Espera no Centeio“, esteve alguns anos sem publicar nada.

À Espera no Centeio“, já chamado de “o livro que inventou uma geração”, foi publicado em 1951 e obteve um êxito imediato entre os jovens. A sua linguagem coloquial e humorística e o “calão” típico dos adolescentes revolucionaram a escrita literária da época. Salinger demonstrou, numa altura em que os jovens não se faziam ouvir, que existia uma “cultura jovem” e que tinham direito a uma “voz” e a uma visão de mundo próprias.

Relembramos J. D. Salinger, quando passam 2 anos da sua morte.

Bibliografia de J. D. Salinger

Winston S. Churchill

“O orgulhoso prefere perder-se, a perguntar qual é o seu caminho.”

Winston Churchill

Winston Churchill

Foi um dos mais admirados e decisivos homens políticos do século XX. Controverso e “sem papas na língua”, suscitava tanto a admiração como o ódio. Primeiro-ministro britânico, de 1940 a 1945 e de 1951 a 1955, foi quem dirigiu a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial, com os seus discursos patrióticos e a sua oratória empolgante. Desta altura, data uma das suas mais célebres frases, “nunca tantos ficaram a dever tanto a tão poucos”, com a qual quis louvar os aviadores britânicos que venceram a épica “Batalha de Inglaterra”.

Aristocrata de nascimento, começou por ser jornalista, mas cedo se iniciou na política, tornando-se membro do Parlamento com 26 anos e do Governo 3 anos depois, tendo-se, desde logo, notabilizado. Não participou em nenhum governo, de 1929 a 1939, mas continuou a ser eleito para o Parlamento, onde advertiu incessantemente do perigo que Hitler representava para a Paz. Aliado à União Soviética, desde o primeiro momento da invasão alemã, em Junho de 1941, acabou por vencer Hitler, com o apoio e depois a participação activa dos Estados Unidos na guerra. Mas foi também o primeiro a insurgir-se contra a “Cortina de Ferro” que depois se abateu sobre o Leste europeu.

Recebeu, em 1953, o Prémio Nobel de Literatura, pela sua obra “Memórias da Segunda Guerra Mundial“. Embora a sua carreira literária se tenha iniciado em 1898, com relatórios sobre campanhas militares e publicara o seu único romance, Savrola, em 1900.

Apesar de fumador (de charutos) e bebedor (de whiskies) inveterado, viveu até aos 90 anos, falecendo vítima de um derrame e encerrando uma era na História do Século XX.

Quando passam 47 anos da sua morte, destacamos Winston S. Churchill.

Bibliografia de Winston S. Churchill

Derek Walcott

Derek Walcott

Derek Walcott

É considerado o maior e o mais importante poeta e dramaturgo das “Índias Ocidentais” (Caraíbas). Aos 18 anos de idade, fez sua primeira publicação, a colectânea “25 Poems”, porém o reconhecimento internacional só viria anos depois, com uma nova colecção de poemas, “In a Green Night: Poems”. Das mais de duas dezenas de livros de poesia que publicou, além de uma ainda maior produção como autor de teatro, destaca-se “Omeros”.

Recebeu, em 1992, o Prémio Nobel da Literatura pela «sua poesia repleta de luminosidade e ligada a um compromisso multicultural».

Durante muitos anos, dividiu o seu tempo entre a ilha de Trinidad e os Estados Unidos, onde leccionou na Universidade de Boston até se aposentar, em 2007.

Destacamos hoje, Derek Walcott quando festeja o seu 82.º aniversário.

Bibliografia de Derek Walcott

Sandro Penna

Sandro Penna

Sandro Penna

Era un mattino di un dolce gennaio

“Era manhã de um doce Janeiro
cheio de sol. E a vida pareceu
no silêncio repleta de palavras.
Assim não foi, minhas palavras
foram escassas, e talvez sem sol.
Mas resta na manhã de Janeiro
um homem já velho, cheio de amor.”

(tradução de Vera Lúcia de Oliveira)

Ao passarem 35 anos da sua morte, relembramos um dos maiores poetas italianos do século XX, que recorreu à expressão poética como forma de “exaltação da vida”, para superar a sua condição socialmente marginal devida, em grande parte, à homossexualidade assumida. Por opção própria, desempenhou sempre ocupações precárias e irrelevantes, tendo vivido modestamente e morrido pobre e isolado.

“Nos últimos anos de vida, a sua obra, tal como a sua enigmática figura, durante muito tempo esquecida e pouco considerada, tornou-se num objecto de culto e até em verdadeiro mito, tornando-se aliás um modelo e referência para muitos escritores das novas gerações.” (Andrea Ragusa, in POESIA & LDA.)

Bibliografia de Sandro Penna

R. A. Salvatore

R. A. Salvatore

R. A. Salvatore

Os seus livros são presença regular na lista do “The New York Times best-seller” e estão traduzidos para inúmeras línguas, tendo já vendido mais de 10 milhões de cópias.

O seu fascínio pela fantasia começou quando, ainda jovem, lhe ofereceram no Natal um volume do “O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien. Com a descoberta da literatura de fantasia, o autor trocou de curso e, a partir de 1990, tornou-se escritor a tempo inteiro. Alcançou a popularidade, com a criação de uma das personagens mais famosas deste tipo de literatura, o Elfo Negro Drizzt Do’Urden.

Para além dos seus romances, escreveu também histórias de videojogos para a PS2, Xbox e PC, trabalhando com a equipa de desenho nos estúdios de Stormfront.

Salvatore é um membro activo da sua comunidade e costuma participar em conferências onde aborda temas como “fantasia e aventura” ou “porque é que os jovens adultos lêem fantasia”. Em 2000, a sua correspondência e os seus trabalhos inéditos foram doados à Universidade estatal de Fitchburg (Massachusetts), para criar a “Colecção R. A. Salvatore.”

Destacamos R. A. Salvatore que festeja hoje o seu 53.º aniversário.

Bibliografia de R. A. Salvatore

Julian Barnes

Julian Barnes

Julian Barnes

É considerado como uma das maiores revelações da literatura britânica contemporânea. Autor de dez romances e de três livros de contos, esteve três vezes na lista dos finalistas do Prémio Man Booker de Ficção, com os romances “O Papagaio de Flaubert“, em 1984, “Inglaterra, Inglaterra“, em 1998, e “Arthur & George“, em 2005.

Venceu, finalmente, no ano passado, o Man Booker Prize pela obra “O Sentido do Fim“. O júri justificou a decisão unânime dizendo que o romance “tem as marcas de um clássico da literatura inglesa: está extraordinariamente bem escrito, tem um enredo subtil e revela novos sentidos a cada leitura”.

A sua obra está traduzida em trinta idiomas e recebeu, entre outros, os prémios Somerset Maugham, o Geoffrey Faber Memorial, o E.M. Forster, o Fémina, o Médicis e o Shakespeare.

Falamos de Julian Barnes quando festeja o seu 66.º aniversário.

Bibliografia de Julian Barnes

Etty Hillesum

“Acredito verdadeiramente que é possível criar, mesmo sem jamais ter escrito uma palavra ou pintando um quadro, apenas moldando a nossa vida interior. E isso também é uma proeza.”

Etty Hillesum

Etty Hillesum

Vítima do Holocausto nazi, devido à sua origem judia, trabalhou durante pouco mais de um ano como assistente voluntária no campo de trânsito holandês de Westerbork, onde ajudava e alentava todos aqueles com quem partilhava o sofrimento, até ser finalmente deportada para Auschwitz, em 1943, onde veio a falecer em Novembro desse ano, antes de cumprir 30 anos.

Em 9 de Março de 1941, escrevera a primeira entrada no primeiro dos oito cadernos de papel quadriculado que viriam a constituir o seu Diário, que se tornou um dos mais notáveis documentos surgidos daquele período horrendo e que resultaria de uma sugestão terapêutica de Julius Spier, psicoquirologista, seu companheiro e mentor. Nele encontramos as suas reflexões pessoais sobre a humanidade, a sua vida académica, o círculo de amigos e o seu testemunho da segunda Guerra Mundial em território holandês. “Um dos livros que mais me impressionaram na vida […]. Essa extraordinária rapariga de Amesterdão que, numa das horas mais sombrias do século XX, se oferece como voluntária para um campo de concentração, mostra-nos que é possível falar de Deus mesmo nos sítios mais dolorosos do mundo e mais recônditos da alma.” (José Tolentino Mendonça, ao jornal i)

Hoje, quando passam 98 anos do seu nascimento, relembrámos esta autora “assombrosamente contemporânea”.

Bibliografia de Etty Hillesum

Yukio Mishima

“As mulheres: bolas de sabão; o dinheiro: bolas de sabão; o sucesso: bolas de sabão. Os reflexos sobre as bolas de sabão são o mundo em que vivemos.”

Yukio Mishima

Yukio Mishima

É sem dúvida o escritor japonês mais conhecido no Ocidente e um dos mais talentosos e refinados autores do século XX e o idealismo que enforma a sua obra está enraizado no tradicionalismo militar e espiritual dos samurais.

Filho de um funcionário público, mas educado pela avó paterna, pessoa possessiva e conservadora, foi declarado inapto para o serviço militar, circunstância que marcou a sua vida, por crer que não teve a oportunidade de se sacrificar pela pátria, como muitos combatentes haviam feito.

Adoptou o pseudónimo de Yukio Mishima, para ocultar do seu pai, avesso radical à literatura e quem o obrigou a estudar Direito, a sua paixão pela escrita, que já mantinha desde jovem e à qual se dedicou inteiramente após o final da guerra em 1945. Para compensar a sua frustração por não ter servido o seu país como combatente, fez-se mestre em culturismo e artes marciais e projectou-se nos protagonistas de algumas das suas obras, várias vezes adaptadas ao cinema.

Ainda que tivesse adoptado costumes ocidentais, o seu inconformismo com a derrota do Japão imperial e a nostalgia do seu passado glorioso levou-o a constituir uma milícia militarizada de jovens aguerridos e fanáticos, com que tentou um golpe militar em Tóquio, em Novembro de 1970, mas cujo fracasso motivou o seu suicídio, através do ritual tradicional japonês, o “seppuku“.

O livro que o celebrizou, aos 24 anos, foi “Confissões de Uma Máscara”, uma história de carácter autobiográfico que lidava com a descoberta da homossexualidade do autor e o ajustamento da sua personalidade ao convencionalismo social. Pelo êxito alcançado com a sua obra, concorreu por três vezes ao Nobel de Literatura.

Relembrámos hoje Yukio Mishima no 87.º aniversário do seu nascimento.

Bibliografia de Yukio Mishima

James Joyce

“Sou amanhã, ou noutro dia futuro, o que estabeleço hoje. Sou hoje o que estabeleci ontem ou noutro dia anterior.”

James Joyce

James Joyce

É considerado um dos autores de maior relevância do século XX. Publica, em 1914, a sua antologia de contos “Dubliners” (“Gente de Dublim”), provocando uma intensa polémica entre os críticos mais conservadores, pois é implacável e realista ao retratar sem pudor as misérias da existência na Irlanda.

Autor de “Ulisses”, considerada a obra que inaugura o romance moderno, uma das suas obras magistrais e que foi considerada pela crítica especializada o maior romance escrito em língua inglesa, em todo o século XX. A obra desencadeou reacções violentas, as 1000 cópias da primeira edição venderam-se rapidamente, mas a condenação de “Ulisses” foi igualmente intensa. O romance só voltou a ter uma edição legal nos Estados Unidos em 1934 e apenas foi publicado novamente no Reino Unido em 1936.

Abandonou o seu país de origem, a Irlanda, com a sua mulher de toda a vida, Nora, indo viver primeiro em Trieste, de onde fugiu à guerra, em 1915, para Zurique e depois fixou-se em Paris, até à invasão de França pelas tropas alemãs em 1940, tendo regressado então a Zurique, onde morreu a 13 de Janeiro de 1941, vítima de peritonite generalizada.

Embora tenha vivido fora do seu país natal durante a maior parte da vida adulta, as suas experiências irlandesas são essenciais na sua obra e forneceram-lhe toda a sua ambientação e muito da temática. O seu universo ficcional enraíza-se fortemente em Dublin e reflecte a sua vida familiar e os eventos, as amizades e inimizades dos tempos da escola e da faculdade.

Quando passam 71 anos da sua morte, relembramos James Joyce.

Bibliografia de James Joyce

Haruki Murakami

Destino, Acaso ou Coincidência

«Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exactamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.

E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que está feito, feito está, o que tem se ser tem muita força e por aí fora. Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o “tudo” que ficou para trás e o «nada» que temos pela frente.(…).»

(Haruki Murakami, in “Em Busca do Carneiro Selvagem“)

Haruki Murakami

Haruki Murakami

É um dos mais populares escritores japoneses, em especial entre o público jovem, e considerado eterno candidato ao Nobel da Literatura. O seu último livro, “1Q84”, aguardado com enorme expectativa, levou as livrarias americanas a manterem-se abertas pela noite fora, no dia seu lançamento.

Nasceu em Kyoto, em 1949, mas cresceu em Kobe, cidade portuária que lhe deu uma visão de mundo cosmopolita, um dos pilares da sua obra. Formou-se em dramaturgia clássica no Departamento de Literatura da Universidade de Waseda e, pouco depois, montou um bar em Kokubunji (Tóquio), de 1974 a 1981, sobre o qual diria mais tarde: “Tudo que preciso saber na vida aprendi no meu bar de jazz.”

Recebeu, em 1996, o Prémio Literário Yomiuri, galardão já concedido a importantes nomes da literatura japonesa, como Kenzaburo Oe, Kobo Abe e Yukio Mishima.

As suas maiores influências literárias são Raymond Chandler, Kurt Vonnegut e Richard Brautigan. Paralelamente à actividade de autor, traduziu para o japonês escritores como F. Scott Fitzgerald, John Irving, Tim O’Brien, Truman Capote e Paul Theroux.

Destacamos Haruki Murakami, quando celebra hoje o seu 63.º aniversário.

Bibliografia de Haruki Murakami

Dashiell Hammett

Dashiell Hammett

Dashiell Hammett

É reconhecido como o “pai” do moderno romance policial. O seu estilo de escrita simples, o cinismo das suas personagens e a complexidade dos seus enredos trouxeram uma nova energia que vieram definir o género policial em filmes, rádio e televisão.

Escreveu mais de 80 contos e 5 romances e ainda uma banda desenhada, intitulada “Secret Agent X-9” e uma série para rádio, “The Fat Man”. Trabalhou também como argumentista, muitas vezes apenas para “afinar o diálogo”, tendo sido o responsável pelo uso do calão dos gangsters no dia-a-dia das populações.

Os seus últimos anos de vida foram atormentados por problemas de saúde e financeiros. Foi incapaz de terminar “Tulip”, o mais autobiográfico de todos os seus livros.

Depois de uma década de silêncio, em que Hammett havia sido quase esquecido, morreu de cancro do pulmão em 1961, quando tinha 67 anos.

Quando passam 51 anos da sua morte, relembramos Dashiell Hammett.

Bibliografia de Dashiell Hammett

Karel Čapek

“A verdade tem de ser passada de contrabando; é preciso difundi-la por partes, uma gota de cada vez, para as pessoas se habituarem, e não de uma vez só.”

Karel Čapek

Karel Čapek

Novelista, dramaturgo e encenador Checo, tido como o maior autor do seu país da primeira metade do século XX, foi contemporâneo de Kafka e o criador da palavra “robot“. Nomeado director do Teatro Nacional, chegou depois a ter o seu próprio estabelecimento, o Teatro Artístico de Vinohradsky.

É reconhecido pelas suas peças teatrais, sendo R.U.R. a mais famosa e que originaria o célebre filme mudo de Fritz Lang, “Metropolis” (1926). Estreada em 1921, retrata uma fantasia dramática em que cada uma das personagens é desumanizada pela máquina da idade. R.U.R. é a sigla de “Rossum’s Universal Robots” e foi nesta peça que surgiu a palavra inglesa robot.

O seu livro “A Guerra das Salamandras” é considerado uma obra de génio, que captura o clima social e político do período entre guerras e também como um livro profético que serve de previsão dos diversos ‘ismos’ do século XX e, principalmente, das suas consequências mais terríveis.

Viria a morrer em Dezembro de 1938, em consequência de uma pneumonia originada por uma greve da fome, como protesto pelos aliados terem rejeitado protecção à Checoslováquia contra a Alemanha de Hitler. A sua obra foi interdita pelas autoridades alemãs em 1939 e o seu irmão Josef, co-autor do seu primeiro livro, foi enviado para um campo de concentração, onde morreria em 1945.

No 122.º aniversário do seu nascimento, destacamos Karel Čapek.

Bibliografia de Karel Čapek

Gerald Durrell

“Não existe primeiro nem terceiro mundo. Há apenas um único mundo, onde todos temos de viver e desfrutar.”

Gerald Durrell

Gerald Durrell

Embora de nacionalidade britânica, nasceu na Índia, onde foi educado por uma “ayah” (ama indiana) e era o irmão mais novo do famoso escritor inglês Lawrence Durrell. Mais tarde, viria a atribuir a sua propensão naturalista e predilecção vitalícia pelos animais à primeira visita que fez a um zoo, naquele país.

Após ter regressado com a família à Europa e ter vivido durante 4 anos em Corfu (Grécia), dedicou toda a sua vida ao estudo e à defesa do mundo animal, tendo escrito vários livros e promovido diversas séries documentais televisivas.

Tornou-se um grande e entusiástico coleccionador de animais de todo o mundo, tendo constituído o seu próprio zoo, na ilha britânica de Jersey e fundou ainda o Durrell Wildlife Conservation Trust, destinado a apoiá-lo financeiramente. Esta iniciativa veio a originar a Conferência Mundial sobre “Breeding Endangered Species in Captivity as an Aid to their Survival”, actualmente a mais prestigiada no género.

O seu livro mais popular, “My Family and Other Animals” (“A minha Família e outros Animais”), retrata a sua vivência na Grécia, quando se dedicava à exploração da fauna de Corfu, em conjunto com o médico, poeta e filósofo grego Theodore Stephanides, que se converteria no seu grande mentor.

Evocamos hoje Gerald Durrell, quando perfaria 86 anos.

Bibliografia de Gerald Durrell


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