Arquivo de Março, 2011

Kamala Das

Kamala Das

Kamala Das

É uma das escritoras indianas mais admiradas e controversas da actualidade. O seu talento poético valeu-lhe um reconhecimento incontestado, mas a sinceridade com que denuncia o lado hipócrita da sociedade conservadora indiana, pondo em causa as tradições, o Hinduísmo e o papel atribuído à mulher no seu país, condenou-a à crítica e à ostracização. Tem inúmeros romances publicados, bem como colectâneas de poesia e contos. Foi agraciada com vários prémios literários, entre eles o Prémio PEN de poesia. “A Minha História” é um marco no seu percurso literário e no âmbito mais alargado da literatura feminista. (via presenca.pt)

No dia em que festeja o seu 77.º aniversário, destacamos Kamala Das.

Bibliografia de Kamala Das

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Vasco Gato

“a morte é uma coisa muito pouca
em nada se compara ao crescimento das constelações
a morte não respira nem se expande desde o centro
como fazem as estações desde o coração da terra

e assim eu sei que um sorriso é precioso
porque respira e alarga-se dentro dos olhos
e quando chega ao lugar em que a mão se abre
é já uma forma de sossego uma lua coberta de luar
um modo certo de trocar nomes em dias de excepção.”

(in “Um Mover de Mão”, Assírio e Alvim, 2000)

Vasco Gato

Vasco Gato

Poeta português da vaga dos anos noventa e que se está a impor na literatura moderna portuguesa. Começou por frequentar o curso de Economia, acabando por trocá-lo pelo de Filosofia. A sua grande estreia e revelação deu-se com a publicação de «Um Mover de Mão». Integrou a antologia da nova poesia portuguesa «Anos 90 e Agora» e traduziu a obra «Noites de Atropelo» de Mark Kozelek. (via nescritas.com)

No dia em que faz 33 anos, damos os parabéns e destacamos Vasco Gato.

Bibliografia de Vasco Gato

Ernst Jünger

“A vontade é cega, a dor é míope.”

Ernst Jünger

Ernst Jünger

Entomologista, viajante infatigável, romancista, ensaísta, pensador maior das letras alemãs do século XX, morreu aos 103 anos de idade. Combateu também na Primeira Grande Guerra, onde foi ferido por diversas vezes, o que lhe valeu algumas condecorações por bravura. Finda a guerra, serviu como oficial no exército da República de Weimar, entre 1919 e 1923.

Chegou a Berlim no ano de 1927, onde presenciou com agrado a ascensão do Nacional-Socialismo, dando o seu aval ao pensamento nietzscheano e professando doutrinas antisemíticas em publicações nacionalistas. O destino reservou-lhe porém uma ironia, pois apaixonou-se por uma mulher judia, o que fez com fosse lentamente mitigando o seu antisemitismo. E, em consequência de um incidente com Else Lasker-Schüler que, galardoada com um prémio literário, em 1932, foi arrasada pela imprensa nacional-socialista e espancada até perder os sentidos pelas SA, Jünger optou por abandonar Berlim no ano seguinte.

Tido como um dos precursores do chamado “realismo mágico”, foi honrado com títulos académicos e galardoado com vários prémios, incluindo o Prémio Goethe, antes de falecer em 1998. (via Infopédia)

Quando passam 116 anos do seu nascimento, recordamos Ernst Jünger.

Bibliografia de Ernst Jünger

Alexandre Herculano

Somos uma Nação que se Regenera

«Que somos nós hoje? Uma nação que tende a regenerar-se; diremos mais, que se regenera. Regenera-se, porque se repreende a si própria; porque se revolve no lodaçal onde dormia tranquila; porque se irrita da sua decadência, e já não sorri sem vergonha ao insultar de estranhos; porque principia, enfim, a reconhecer que o trabalho não desonra, e vai esquecendo as visagens senhoris de fidalga. Deixai passar essas paixões pequenas e más que combatem na arena política, deixai flutuar à luz do sol na superfície da sociedade esses corações cancerosos que aí vedes; deixai erguerem-se, tombar, despedaçarem-se essas vagas encontradas e confusas das opiniões! Tudo isto acontece quando se agita o oceano; e o mar do povo agita-se debaixo da sua superfície. O sargaço imundo, a escuma fétida e turva hão-de desparecer. Um dia o oceano popular será grandioso, puro e sereno como saiu das mãos de Deus. A tempestade é a precusora da bonança. O lago asfaltite, o Mar Morto, esse é que não tem procelas.
O nosso estrebuchar, muitas vezes colérico, muitas mais mentecapto e ridículo, prova que a Europa se enganava quando cria que esta nobre terra do último ocidente era o cemitério de uma nação cadáver. Vivemos; e ainda que semelhante viver seja o delírio febril de moribundo, esta situação violenta, aos olhos dos que sabem ver, é uma crise de salvação, posto que dolorosa, e lenta. Confiemos e esperemos; o nome português não foi riscado do livro dos eternos destinos.»

Alexandre Herculano

Alexandre Herculano

Foi, além de um dos mais importantes escritores portugueses do século XIX, o renovador do estudo da História de Portugal. A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho, mas também a sua vida. Obras como, “A Harpa do Crente”, “Lendas e Narrativas”, “O Bobo”, “Eurico, o Presbítero”, ou “O Monge de Cister”, continuam hoje a ser lidas pelas diferentes gerações de leitores e estudiosos.

No 201.º aniversário do seu nascimento, recordamos Alexandre Herculano.

Bibliografia de Alexandre Herculano

Stanisław Lem

“O homem esquece que a alta tecnologia não exclui a crença religiosa.”

Stanisław Lem

Stanisław Lem

Chegou a ser o autor de ficção científica mais lido no mundo, facto raro para alguém que não escreve em inglês. Escreveu sobre a impossibilidade de comunicação entre humanos e civilizações extraterrestres e sobre o futuro tecnológico da humanidade e desenvolveu ideias de uma sociedade ideal e utópica, explorando os problemas relacionados com a existência humana, num mundo onde o progresso suprime todo o esforço.

Tendo sido activo resistente anti-nazi na altura da ocupação alemã, foi depois censurado, devido às suas divergências políticas, no seu país, de onde se exilou algum tempo em Berlim e Viena, durante a dominação do regime soviético, mas foi também banido da “Science Fiction and Fantasy Writers of America”, por ter criticado a fraca qualidade da literatura de ficção científica norte-americana, que considerava estar essencialmente interessada pela rentabilidade comercial. Os seus livros, de que “Solaris” é o mais conhecido, construídos em torno de uma visão crítica do comportamento humano, foram traduzidos em 57 línguas e venderam mais de 45 milhões de exemplares.

Trata-se, sem dúvida, de um dos grandes mestres contemporâneos deste género literário que, passados 5 anos da sua morte, hoje destacamos.

Bibliografia de Stanisław Lem

Patrick Süskind

“…as pessoas podem fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podem tapar os ouvidos diante de uma melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podem escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração, penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, directamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atracção e repulsa, horror e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.”

(in “O Perfume”, de Patrick Süskind)

Patrick Süskind

Patrick Süskind

Visto como um genial criador de histórias e ambientes, mas simultaneamente como controverso e “estranho”, escreve essencialmente contos, embora tenha tido também uma experiência ocasional, mas muito interessante, como dramaturgo e é ainda guionista de televisão e ensaísta. Com uma personalidade muito reservada e socialmente retraída, evita quaisquer eventos mediáticos e vive de forma muito austera. Confessa que desistiu, em jovem, de uma sonhada carreira musical devido a uma pequena deficiência física, aventurando-se então como contista e guionista.

É mundialmente conhecido pela famosa obra “O Perfume”, o seu primeiro romance, editado, pela primeira vez, em 1985, muito apreciado pela crítica e várias vezes premiado, considerado o livro da década de 80 na Alemanha e do qual foram vendidos cerca de 20 milhões de exemplares, em quarenta línguas. A obra, que foi publicada inicialmente em capítulos, com grande êxito, no jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, fazendo reviver a tradição dos folhetins, veio a ser convertida ao cinema em 2006, por Tom Tykwer, com um elenco de celebridades, tais como Dustin Hoffman e Alan Rickman.

Hoje, quando completa 62 anos, destacamos este autor alemão.

Bibliografia de Patrick Süskind

Novalis

“Ao homem é lícito desejar as coisas sensíveis de maneira racional, enquanto à mulher é lícito desejar as coisas racionais de maneira sensível… A natureza secundária do homem é a principal da mulher.”

Novalis

Novalis

Os seus 29 anos de vida são dominados pelo amor a Sophie von Kühn, cuja morte em 1797, com apenas 15 anos, influenciará a sua obra, alimentando a densa nostalgia romântica de “Os Hinos à Noite”.

Além de poeta mágico e, provavelmente, devido aos seus reconhecidos conhecimentos enciclopédicos, o autor relacionou permanentemente a poesia com a natureza, com a vida e com a filosofia.

A sua obra encontrava-se praticamente toda inacabada e por publicar na altura da sua morte. De qualquer forma, os seus escritos foram recuperados, encontrando-se entre eles, além de tentativas literárias juvenis de interesse menor, um conjunto muito significativo de textos líricos e narrativos e, mesmo ensaísticos, plenos de simbolismo e interesse filosófico. A própria variedade das suas realizações constitui prova de se tratar de uma figura excepcional. As suas obras terão influenciado uma série de gerações de autores alemães, como Joseph von Eichendorff, Rainer Maria Rilke, Herman Hesse e Thomas Mann.

Quando passam 210 anos da sua morte, relembramos Novalis.

Bibliografia de Novalis


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