Arquivo de Outubro, 2010

Carlos Drummond de Andrade

O tempo passa? Não passa

O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

Carlos Drummond de Andrade

“Na sua poesia, caldeiam-se o sarcasmo, a ironia, o humor, mas há lirismo puro e profundo, a pesquisa do «sentimento do mundo», por vezes a revelação do seu mundo interior, do seu povo, da sua paisagem, atingindo a verdadeira serenidade e pureza clássicas em muitas composições. (…) Na prosa há humor e cepticismo, por vezes uma certa ironia e graça sem esconder a sua natural preocupação com o homem e com o autêntico.”

“Forte criador de imagens, a sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.” Hoje, no 108.º aniversário do seu nascimento, recordamos o escritor que produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX.

Agota Kristof

Em 1956, viu-se forçada a fugir do seu país de origem, a Hungria, na sequência do esmagamento da “Revolta de Budapeste” pelo exército soviético, refugiando-se em Neuchâtel, na Suíça, onde veio a aprender o Francês, língua que adoptou na sua escrita.

A sua obra, sempre marcada por esta traumática experiência, começou pela poesia e pelo teatro, mas foi com a trilogia “O Caderno Grande”, “A prova” e “A Terceira Mentira”, um romance dramático, tendo como personagens os gémeos Lucas e Claus, já traduzido para mais de 30 idiomas e várias vezes premiado, que se tornou famosa. Destacamos, hoje, esta escritora muito elogiada pela crítica europeia, quando completa 75 anos.

Agota Kristof

Ezra Pound

«Podeis reconhecer um mau crítico porque ele começa por falar do poeta e não do poema»

Ezra Pound

Poeta, tradutor e crítico norte-americano. Travou conhecimento com alguns dos mais importantes escritores da época, tais como, Ford Madox Ford, James Joyce, Wyndham Lewis, W. B. Yeats e T. S. Eliot, entre outros. Conhecedor das literaturas europeia e oriental, desde cedo que se associou à escola dos imagistas, que liderou de forma particularmente enérgica. Os adeptos desta corrente poética, pretendiam explorar de forma disciplinada as potencialidades da imagem e da metáfora, consideradas a essência da poesia.

A obra ”Os Cantos” é considerada uma das mais controversas da poesia deste século, carregada de citações e alusões históricas. A influência de Ezra Pound e do seu projecto de renovação da linguagem poética fez-se sentir em Joyce, Yeats, William Carlos Williams e particularmente em T. S. Eliot. No 125.º aniversário do seu nascimento, destacamos Ezra Pound.

Ted Hughes

Chaucer

«Quando Abril com suaves aguaceiros
sacia a sede de Março até às raízes…»
Com a tua voz no seu tom mais elevado, balançando no cimo de um escadote,
braços erguidos – para te equilibrares e
segurares as rédeas da esforçada atenção
daquela tua audiência imaginária – declamaste Chaucer
para um campo com vacas. E o céu da Primavera fez o resto,
com a roupa lavada a escoaçar, o verde-esmeralda
dos espinheiros, o espinheiro branco, o espinheiro negro,
tu com um daqueles copos de champanhe
a que tinhas deitado a mão na arrebatação do momento.
A tua voz voou pelos campos até Grantchester.
Deve ter soado a perdida. Mas as vacas
olharam, e aproximaram-se logo: elas apreciavam Chaucer.
E tu continuaste. (…)»

Ted Hughes

Considerado um dos maiores poetas da sua geração é, também, uma das figuras literárias mais controversas do seu tempo. Foi casado com a poetisa americana Sylvia Plath, que viria a suicidar-se em 1963, após a separação de ambos.

A sua escrita, que reflecte o seu sofrimento pessoal, as suas crenças místicas e as suas tradições bárdicas, caracteriza-se por uma agressividade verbal e pelo culto de uma natureza vazia, associada a um certo primitivismo. Em 1984, recebeu o título de Poeta Laureado e, a 16 de Outubro de 1998, a Ordem de Mérito.

Recordamos, 12 anos após a sua morte, Ted Hughes.

 

Rex Stout

Escreveu mais de 70 romances policiais, 46 dos quais com Nero Wolfe, detective excêntrico e obeso, gourmet e grande apreciador de cerveja, cujo companheiro, o intrépido Archie Goodwin, o ajuda na resolução dos crimes. Após a morte de Stout, o escritor Robert Goldsborough continuou as aventuras de Nero Wolte, a partir do final dos anos 80.

Nero Wolfe deu, ainda, título a uma série de televisão de 14 episódios produzida pela Paramount Television e transmitida pela National Broadcasting Company (NBC), tendo sido nomeada para dois prémios Emmy.

Foi presidente do Author’s Guild e dos Mystery Writers of America. Em 1959 recebeu o Grand Master Award desta última organização. Falamos de Rex Stout, 35 anos após a sua morte.

Rex Stout

José Cardoso Pires

«Lá vai o português… lá anda. Dobrado ao peso da História, carregando-a de facto, e que remédio – índias, naufrágios, cruzes de padrão (as mais pesadas). Labuta a côdea do sol-a-sol e já nem sabe se sonha ou se recorda.»

José Cardoso Pires

«O seu trajecto pessoal e a sua carreira de escritor são marcados pela inquietação e pela deambulação. Não se identifica com nenhum grupo, nem se fixa em nenhum género literário, apesar de ser considerado sobretudo como um romancista. A característica mais evidente da sua não muito vasta obra (são ao todo dezoito os seus livros publicados em quase cinquenta anos de vida literária) é o facto de cada livro seu inaugurar e completar um ciclo de criação literária. Nenhuma das suas obras se tornou uma fórmula que viesse a repetir, apesar de ser possível reconhecer linhas de evolução da sua escrita literária. O seu primeiro livro foi publicado em 1949 e o último em 1997.»

Unanimemente considerado um dos maiores escritores portugueses do século XX, a sua carreira literária está marcada pela inquietação e pela deambulação. ”O Delfim” é o romance, geralmente considerado a sua obra-prima. Um mês antes de falecer, foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores. No dia em que faria 85 anos, recordamos José Cardoso Pires.

Zadie Smith

«Quando começo um romance, sinto que ele não existe fora das frases que vou pondo no papel. Por isso tenho de ser muito cautelosa: toda a natureza da coisa pode mudar devido à escolha de umas quantas palavras.»

Zadie Smith

Estreou-se com o romance ”Dentes Brancos”, publicado em 2000, que se tornou imediatamente num best-seller aclamado internacionalmente e que foi considerado um dos melhores livros da década pela revista Times. Com várias publicações que se traduziram em êxitos comerciais e literários, a escritora é ainda professora de ficção na Universidade de Artes de Columbia. No dia em que celebra o seu 35.º aniversário, destacamos Zadie Smith.

Ramalho Ortigão

«Ninguém é grande nem pequeno neste mundo pela vida que leva, pomposa ou obscura. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos actos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhante.»

Ramalho Ortigão

Interveio na célebre Questão Coimbrã (1865), defendendo Castilho, por meio do folhetim “Literatura de Hoje” e batendo-se em duelo com Antero de Quental. Com o seu ex-aluno Eça de Queirós, escreve um”romance execrável” (classificação dos autores no prefácio de 1884): “O mistério da estrada de Sintra”. Ainda com Eça, surgem em 1871 os primeiros folhetos de “As Farpas”, de que vem a resultar a compilação em dois volumes sob o título “Uma Campanha Alegre”. Tornou-se numa das principais figuras da chamada “Geração de 70”, que pretendiam aproximar Portugal das sociedades modernas europeias, cosmopolitas e anticlericais.

Foi nomeado bibliotecário da Biblioteca da Ajuda. Por decreto de 23 de Janeiro de 1901, foi agraciado com o titulo de académico de mérito da Academia Real de Belas Artes e, por decreto de 30 de Novembro de 1907, foi nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública por parte da mesma Academia. Falamos de Ramalho Ortigão, no 174.º aniversário do seu nascimento.

Michael Crichton

“Ele era o melhor a misturar ciência com grandes conceitos teatrais, que é o que deu credibilidade para os dinossauros de novo andarem na Terra (…) Michael era uma alma gentil, que reservou o seu lado extravagante para os seus livros. Não há ninguém em actividade que tome seu lugar”

(Steven Spielberg, na morte de Michael Crichton).

Michael Crichton

Destinado a ser médico, no entanto, cedo se dedicou por inteiro à escrever, criando um estilo literário muito característico, em que combinou evidências e fenómenos científicos, com suspense, acção e aventura. Os seus livros, traduzidos por todo o mundo, em trinta idiomas, venderam mais de 150 milhões de exemplares. Algumas das suas obras mais lidas são “Estado de Pânico”, ou “Next”.

Hoje, quando faria 68 anos, relembrámos este autor americano, também com grande relevância em Hollywood, onde gerou filmes como “Parque Jurássico”, “Mundo Perdido” ou “Congo”.

Doris Lessing

«Vocês estão num processo de endoutrinação. Nós ainda não conseguimos desenvolver um sistema de educação que não seja um sistema de endoutrinação. Pedimos desculpa, mas é o melhor que podemos fazer.

Aqui, o que vos estão a ensinar é uma amálgama dos preconceitos da época e de escolhas da nossa cultura actual. A mais peq…uena olhadelha à história mostra como são impermanentes. Vocês estão a ser ensinados por pessoas que se acomodaram a um regime de pensamentos estabelecido pelos seus predecessores. É um sistema auto-perpetuante.

Os mais fortes e individualistas entre vós são incentivados a sair daqui e a encontrar maneiras de se educarem a si próprios – de educarem o vosso próprio julgamento. Aqueles que aqui ficarem devem lembrar-se constantemente de que estão a ser moldados e padronizados para satisfazerem as necessidades específicas e asfixiantes desta sociedade.»

Doris Lessing

Já publicou mais de 50 livros, entre romances, contos, poesia, teatro e não ficção, tendo-se tornado uma das escritoras contemporâneas mais aclamadas. Ao longo da sua carreira, foi distinguida com diversos prémios, incluindo o prémio Príncipe das Astúrias e o David Cohen British Literature Prize em 2001.

Em 2007, tornou-se na 11.ª mulher a receber o Nobel de Literatura e a personalidade mais idosa a ser galardoada. Descrita pelo júri como “a narradora épica da experiência feminina e de força visionária”, inspirou uma geração de escritoras feministas.

No dia em que celebra o seu 91.º aniversário, destacamos Doris Lessing.

Alfred Nobel

«Criador da dinamite, foi também o pai dos prémios Nobel. Apelidado por muitos de “cientista louco”, nunca ligou a este estereótipo. Com uma vida dedicada às experiências, apesar da riqueza que alcançou, acabou por morrer sem constituir família e atormentado com a utilização do seus inventos para fins bélicos.

Faleceu com uma hemorragia cerebral, em São Remo, Itália, em 1896. No seu testamento, deixou como sendo um dos seus desejos, a criação de uma fundação que anualmente premiasse as pessoas que mais tivessem contribuído para permitir o desenvolvimento da Humanidade. Assim, em 1900, foi criada a Fundação Nobel, que atribui prémios em cinco áreas distintas: Química, Física, Medicina, Literatura e Paz Mundial.»

No 177.º aniversário do seu nascimento, não poderíamos deixar de relembrar Alfred Nobel.

 

Alfred Nobel

 

Jack Kerouac

«O meu defeito não são as paixões que tenho, mas a minha falta de controlo sobre elas»

Jack Kerouac

É considerado o “porta-voz” da geração beat, que marcou o final dos anos 50 nos Estados Unidos e preparou a contracultura da década seguinte. ”Pela Estrada Fora”, de carácter autobiográfico, é a sua obra mais conhecida. Expressa numa linguagem espontânea o descontentamento da sua geração e as suas características marcantes, romantismo, exaltação da natureza, uso de drogas e celebração da vida livre dos condicionamentos sociais da classe média. Falamos de Jack Kerouac, 41 anos após a sua morte.

Elfriede Jelinek

“o fluxo musical das vozes e contra-vozes presente nos romances e peças” da autora, que com “extraordinário zelo linguístico”, revelam o “absurdo dos clichés da sociedade.”

(Academia Sueca)

Elfriede Jelinek

Marcou o panorama teatral e literário germânico e europeu do fim do século XX como nenhuma outra autora. Eminentemente política e feminista, ao mesmo tempo, soube forjar uma linguagem muito própria que utiliza como arma artística e estética contra os males e vícios das sociedades modernas – a exclusão das diferenças, os abusos de poder, os pesos sociais que asfixiam, esmagam e destroem.

Autora mais do que reconhecida, galardoada com múltiplos prémios literários, entre eles, o Nobel da Literatura em 2004, não deixou, no entanto, de ser marginalizada. Obras como a ”A Pianista”, ”As Amantes” e ”Os Excluídos” são consideradas obras-primas da literatura mundial. No dia em que celebra o seu 64.º aniversário, destacamos Elfriede Jelinek.

John le Carré

«O bom de se ser um escritor velhote é que se viveram muitas vidas e já não se está dominado pela paixão ou pelo desejo, mas pode-se recordar o que é perder a cabeça pelas mulheres»

John le Carré

É autor de numerosos livros de espionagem, muitos dos quais apresentam um enredo que se desenvolve no contexto da Guerra Fria. A profundidade humana, a complexidade política e moral, assim como a inteligência dos enredos levaram-no a ser considerado o autor de espionagem mais literário e filosófico do século XX.

Na sua intervenção pública, recusou vários prémios e um grau honorífico de “cavaleiro do reino” (Knighthood), mantendo sempre uma postura de independência e crítica, que se materializou recentemente nas afirmações contra a guerra ao Iraque.

Entre os seus romances mais recentes, todos eles assinaláveis êxitos de vendas e de crítica, contam-se ”O Alfaiate do Panamá”, ”Single & Single”, ”O Fiel Jardineiro”, ”Amigos até ao Fim”, ”O Canto da Missão” e ”Um Homem Muito Procurado”.

Falamos de John le Carré no dia que celebra o seu 79.º aniversário.

 

Manuel Vázquez Montalbán

«A história pertence aos que a prolongam, não aos que a sequestram»

Manuel Vázquez Montalbán

Criador do detective-gourmet Pepe Carvalho, tem seus livros traduzidos para diversos idiomas. Foi um dos mais fecundos escritores espanhóis, com uma produção tão variada quanto premiada de mais de cinquenta romances, ensaios, colectâneas de poesias, biografias e reportagens.

”O Profeta Impuro”, biografia do nacionalista basco Jesús Galíndez, recebeu o Prémio Nacional de Narrativa (Espanha) e o Prémio Europeu de Literatura (Bélgica). Da sua extensa obra podem destacar-se ainda os títulos ”Os Pássaros de Banguecoque”, ”O Pianista” e ”Os Mares do Sul”.

Passados 7 anos da sua morte, destacamos Manuel Vázquez Montalbán.

Ingeborg Bachmann

‎”Uma espécie de perda
Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados, gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.

Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,

(- o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um apontamento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.

De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.

Não te perdi a ti,
perdi o mundo.”

(Ingeborg Bachmann, tradução de Judite Berkemeier e João Barrento,
in “O Tempo Aprazado”, Assírio & Alvim)

Ingeborg Bachmann

Na sequência de Günter Grass, destacamos hoje, 37 anos depois de morrer, uma escritora de língua alemã, de origem austríaca, da mesma geração e génese de Grass e que também pertenceu ao “Grupo de 47”, movimento poético de vanguarda da Alemanha Federal, onde se iniciou como poeta. A sua escrita “está intimamente ligada às suas experiências enquanto mulher, assim como à reflexão sobre as circunstâncias históricas em que viveu e que marcaram a sua vida, do seu país e inclusivamente de todo o mundo”.
(in http://mal-situados.blogspot.com/2010/09/ingeborg-bachmann.html)

O seu romance inacabado “Malina” (1971, adaptado para o cinema em 1990) permaneceu como o único elemento de um ciclo narrativo, iniciado em 1960 e que se intitularia “Formas de Morrer”. E teve uma morte trágica, decorrente de graves queimaduras provocadas por um incêndio num quarto de hotel, em Roma, de causas ainda mal explicadas. Foi distinguida, em 1964, com o mais importante galardão das letras alemãs, o Prémio Georg-Büchner.

Günter Grass

Escritor alemão, de origem polaca, muito premiado e distinguido, designadamente com o Nobel da Literatura de 1999, gerou grande polémica em todo o mundo, há alguns anos, quando confessou, em dois livros autobiográficos, “Descascando a Cebola” e “A Caixa” (edições portuguesas da Casa das Letras), as suas ligações em jovem ao exército nazi alemão, por se ter alistado voluntariamente nas Waffen-SS e que procurou justificar, posteriormente, em múltiplas entrevistas aos media.

Considerado, por muitos, um dos maiores escritores do século XX, a sua obra literária, muito marcada por aquela sua experiência, veio a revelar um forte conteúdo político, merecendo-lhe ser considerado o porta-voz literário da geração alemã que cresceu durante o nazismo. Chegou, inclusive, a exercer uma activa participação na vida pública da Alemanha, defendendo ideais políticos de esquerda. Destacamo-lo hoje, quando completa 83 anos.

 

Günter Grass

 

Agustina Bessa-Luís

O Que é Escrever?

«Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração. Mas porque a poética precisão de dum acto humano não corresponde totalmente à sua evidência. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever é um pouco corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida.»

Agustina Bessa-Luís

É uma das mais geniais escritoras portuguesas do século XX. Estreou-se em 1948 com a novela “Mundo Fechado e tem mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas. “Tem um lado torrencial da escrita, genial, por vezes assustador”, afirma o jornalista Pedro Mexia. Em 1954, com o romance “A Sibila”, impõe-se como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea. Aos 81 anos recebeu o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa.

Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem é amiga e com quem tem trabalhado de perto. É o caso de “Fanny Owen” (“Francisca”), “Vale Abraão” e “As Terras do Risco” (“O Convento”), para além de “Party”, cujos diálogos foram igualmente escritos pela escritora. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão. O seu romance “As Fúrias” foi adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria.

No dia em que festeja o seu 88.º aniversário, destacamos e damos os parabéns a Agustina Bessa-Luís.

Jorge Pereira lança livro no Porto

Auto-publicado através do SitiodoLivro.pt, “Memórias de um amor”, de Jorge Pereira, foi ontem apresentado no Clube Literário do Porto e mereceu destaque mediático.

in Jornal Record

 

Jorge Pereira lançou esta quarta-feira no Porto, no Clube Literário, o seu primeiro romance, "Memórias de um amor".

 

Harold Robbins

«Diante da alternativa de acreditar em coisas boas ou más a respeito dos outros, as pessoas sempre optam pelas más.»

Harold Robbins

É um dos autores de maior renome a nível mundial, com romances que muitas vezes espelham as suas próprias experiências de vida e são povoados por personagens inspiradas em pessoas que terá conhecido. Uma das figuras literárias mais extraordinárias da América, detentor de uma fabulosa carreira, com mais de 26 títulos publicados, traduzidos em mais de 32 línguas e muitos dos quais adaptados ao cinema. Relembramos Harold Robbins, 13 anos após a sua morte.


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