Ingeborg Bachmann

‎”Uma espécie de perda
Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados, gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.

Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,

(- o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um apontamento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.

De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.

Não te perdi a ti,
perdi o mundo.”

(Ingeborg Bachmann, tradução de Judite Berkemeier e João Barrento,
in “O Tempo Aprazado”, Assírio & Alvim)

Ingeborg Bachmann

Na sequência de Günter Grass, destacamos hoje, 37 anos depois de morrer, uma escritora de língua alemã, de origem austríaca, da mesma geração e génese de Grass e que também pertenceu ao “Grupo de 47”, movimento poético de vanguarda da Alemanha Federal, onde se iniciou como poeta. A sua escrita “está intimamente ligada às suas experiências enquanto mulher, assim como à reflexão sobre as circunstâncias históricas em que viveu e que marcaram a sua vida, do seu país e inclusivamente de todo o mundo”.
(in http://mal-situados.blogspot.com/2010/09/ingeborg-bachmann.html)

O seu romance inacabado “Malina” (1971, adaptado para o cinema em 1990) permaneceu como o único elemento de um ciclo narrativo, iniciado em 1960 e que se intitularia “Formas de Morrer”. E teve uma morte trágica, decorrente de graves queimaduras provocadas por um incêndio num quarto de hotel, em Roma, de causas ainda mal explicadas. Foi distinguida, em 1964, com o mais importante galardão das letras alemãs, o Prémio Georg-Büchner.

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