Archive for the 'Notoriedades' Category



Shirley Jackson

Shirley Jackson

Shirley Jackson

É considerada uma das mais influentes escritoras norte-americanas. Herdeira da grande tradição do gótico americano, iniciada com Edgar Allan Poe, teve uma vida curta, tal como Flannery O’Connor, outra das grandes escritoras da sua geração, mas foi uma autora prolífica.

Os seus livros receberam inúmeras distinções e prémios e estão amplamente divulgados nas principais línguas. Em Portugal, encontra-se traduzido ”Sempre Vivemos no Castelo” (Cavalo de Ferro, 2010)

Falecida em 1965, recordamos naquele que seria o seu 94.º aniversário, Shirley Jackson.

José Eduardo Agualusa

‎”Acredito que há dias em que nos sentimos mais inspirados que noutros, mas acho que a inspiração não acontece sem trabalho, sem dedicação e, sobretudo, sem paixão.”

José Eduardo Agualusa

José Eduardo Agualusa

Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte idiomas. Também escreveu várias peças de teatro, como, “Geração W”, “Aquela Mulher”, “Chovem amores na Rua do Matador” e “A Caixa Preta”, estas duas últimas juntamente com Mia Couto.

Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever «Nação crioula», a segunda, em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa durante 3 meses e na sequência da qual escreveu «Um estranho em Goa» e a terceira em 2001, concedida pela instituição alemã Deutscher Akademischer Austauschdienst. Graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu «O Ano em que Zumbi Tomou o Rio». No início de 2009, a convite da Fundação Holandesa para a Literatura, passou dois meses em Amsterdam, na Residência para Escritores, onde acabou de escrever o seu último romance, «Barroco tropical».

Escreve crónicas para a revista LER e realiza para a RDP África “A hora das Cigarras”, um programa de música e textos africanos. É membro da União dos Escritores Angolanos. Em 2006 lançou, juntamente com Conceição Lopes e Fatima Otero, a editora brasileira Língua Geral, dedicada exclusivamente a autores de língua portuguesa.

No dia em que celebra o seu 50.º aniversário, destacamos e damos os parabéns a José Eduardo Agualusa.

Patrick O’Brian

Patrick O'Brian

Patrick O'Brian

O autor que hoje destacámos, no 96.º aniversário do seu nascimento, escreveu uma famosa e muito apreciada série de romances náuticos, conhecida pelos nomes dos seus dois personagens principais, Aubrey e Maturine e que decorrem no contexto da situação política internacional dos finais do século XVIII e princípios do XIX, em plena época Napoleónica, quando Franceses, Espanhóis e Ingleses disputavam o domínio marítimo. O conhecido filme “Master and Commander: The Far Side of the World”, de Peter Weir, com Russell Crowe no principal papel, foi inspirado naquela série.

Após a sua morte, foi descoberto que o escritor dissimulara a sua verdadeira identidade inglesa sob um pseudónimo irlandês, para ocultar um passado algo controverso e sob a qual já tinha publicado também vários livros. Mas foi como Patrick O’Brian que se notabilizou e prestou, junto com a amante, serviços à inteligência inglesa, traduziu numerosas obras do francês – várias das versões britânicas de Simone de Beauvoir são suas –, escreveu uma elogiada biografia do pintor Pablo Picasso e alguns outros romances de história naval.

Ahmadou Kourouma

‎”Acho que devemos tentar dirigir-nos a todos, apresentando os nossos problemas como problemas humanos e por isso comovedores e apaixonantes para um vasto público.”

(Ahmadou Kourouma)

Ahmadou Kourouma

Ahmadou Kourouma

Foi preso em diversas ocasiões, exilou-se em vários países e, em 1994, regressou finalmente à Costa do Marfim, o seu país natal. A sua produção literária, apesar de não conter muitos títulos, conseguiu estabelecer-se como uma das mais importantes da literatura africana contemporânea, mas o seu reconhecimento foi sobretudo francês, língua em que escreveu todos os seus romances. Ganhou, entre outros, o prémio Renaudot (importante galardão literário francês, criado em 1926 por jornalistas e críticos literários) e o Prix Goncourt des Lycéens (prémio de literatura francesa criado pela FNAC, em 1988).

“Era o romancista mais original e criativo do seu tempo. Os seus romances ajudaram os africanos a olharem-se num espelho e, sobretudo, as suas obras permitiram aos homens políticos africanos abraçarem uma causa.” (Amadou Lamine Sall, poeta, presidente da Casa Africana de Poesia Internacional).

Hoje, ao passarem 7 anos da sua morte, evocamos este autor, tão importante para as causas em cujo combate se empenhou e que deu origem ao prémio literário homónimo, instituído em 2004, pelo “Salão Internacional do Livro” e que visa perpetuar a sua memória, ao distinguir romances ou ensaios sobre a África negra.

Clarice Lispector

«Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.»

Clarice Lispector

Clarice Lispector

Começou a trabalhar como professora particular de português. A relação professor/aluno seria um dos temas preferidos e recorrentes em toda a sua obra – desde o primeiro romance. Os passos seguintes são o jornal “A Noite” e o início do livro ‘’Perto do Coração Selvagem’’, segundo ela, um processo cercado pela angústia. O romance persegue-a. As ideias surgem a qualquer hora, em qualquer lugar. Nasce aí uma das características do seu método de escrita, anotar as ideias a qualquer hora, em qualquer pedaço de papel.

Segundo a crítica francesa Hélène Cixous: “Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinquenta. (…). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá, onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber”.

Os seus últimos anos de vida são de intensa produção literária. Morre, no Rio, no dia 9 de Dezembro de 1977, um dia antes do seu 57.º aniversário. Relembramos Clarice Lispector, no 90.º aniversário do seu nascimento.

Almeida Garrett

Este Inferno de Amar

«Este inferno de amar – como eu amo! –
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… – foi um sonho –
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? – Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei…»

Almeida Garrett

Almeida Garrett

Escritor e dramaturgo romântico, foi o proponente da edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e da criação do Conservatório e um inovador da escrita e da composição literária do século XIX. Na conturbada vida política da primeira metade do século, distinguiu-se como jornalista, deputado e ministro.

Na sua actividade de dramaturgo, propõe-se criar um repertório dramático português. Como romancista, é considerado o criador da prosa moderna em Portugal e, na poesia, é dos primeiros a libertar-se dos cânones clássicos e a introduzir em Portugal a nova estética romântica. Quando perfazem 156 anos da sua morte, destacamos Almeida Garrett.

Florbela Espanca

Os versos que te fiz

“Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolência de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.”

(Florbela Espanca)

Florbela Espanca

Florbela Espanca

“A obra de Florbela é a expressão poética de um caso humano. Decerto para infelicidade da sua vida terrena, mas glória de seu nome e glória da poesia portuguesa, Florbela viveu a fundo esses estados quer de depressão, quer de exaltação, quer de concentração em si mesma, quer de dispersão em tudo, que na sua poesia atinge tão vibrante expressão. Mulheres com talento vocabular e métrico para talharem um soneto como quem talha um vestido; ou bordarem imagens como quem borda missanga; ou (o que é ainda menos agradável) se dilatarem em ondas de verbalismo como quem se espreguiça por nada ter o que fazer, que dizer – naturalmente as houve, e há, antes e depois da vida de Florbela. (…) Também, decerto, apareceram na nossa poesia autênticas poetisas, antes e depois de Florbela. Nenhuma, porém, até hoje, viveu tão a sério um caso tão excepcional e, ao mesmo tempo, tão significativamente humano. Jorge de Sena dirá: tão expressivamente feminino.” (José Régio)

Com esta citação, que dispensa mais comentários, homenageamos esta poetisa, no 116.º aniversário do seu nascimento, que é também o 80.º da sua trágica morte.

António Alçada Baptista

«Vamos ficar por aqui, a fazer aquilo que podemos e sabemos, certos de que fazemos muito pouco em relação aos sonhos que moram no nosso destino e que talvez façamos muito se tivermos em conta aquilo de que somos feitos.»

(in “O Riso de Deus”)

António Alçada Baptista

António Alçada Baptista

Foi presidente do Instituto Português do Livro. Traduziu Jorge Luis Borges e Jacques Maritain, tendo colaborado em vários periódicos (A Capital e O Semanário, por exemplo), com uma publicação regular de crónicas, algumas das quais já reunidas em obras como O Tempo nas Palavras.

A sua obra literária, repartida entre a ficção e o ensaio de memórias pessoais e colectivas (com destaque para os dois volumes de Peregrinação Interior), funda-se num princípio unificador: o da busca de uma unidade interior que seja a razão para que, na sociedade contemporânea portuguesa, “certas coisas aconteçam sem que eu saiba como nem porquê e sem me darem em troca nada de melhor” (cf. Peregrinação Interior I, p. 23).

Dois anos após a sua morte, recordamos António Alçada Baptista.

Peter Handke

Peter Handke

Peter Handke

É um escritor escritor austríaco, também autor de teatro, romances, poesia, argumentista e realizador de cinema e considerado como um dos maiores dramaturgos da história da literatura em língua alemã.

”Gaspar”, ”A Angústia do Guarda-Redes antes do Penalty”, ”Uma Breve Carta para Um Longo Adeus”, ”A Mulher Canhota”, ”A Hora da Sensação Verdadeira”, ”Para Uma Abordagem da Fadiga” e ”A Tarde de Um Escritor” são algumas das suas obras mais conhecidas, já traduzidas para português. Escreveu ainda o argumento do filme ”As Asas do Desejo”, realizado por Wim Wenders, que mereceu grandes elogios por parte da crítica.

No dia em que celebra o seu 68.º aniversário, destacamos Peter Handke.

Raul Brandão

“Existe uma certa grandeza em repetir todos os dias a mesma coisa. O homem só vive de detalhes e as manias têm uma força enorme: são elas que nos sustentam” (in “Húmus”)

Raul Brandão

Raul Brandão

A sua infância foi marcada pela paisagem física e humana da zona piscatória da Foz do Douro, frequentou o curso superior de Letras, mas acabou por ingressar, um pouco contra vontade, na carreira militar, da qual se reformaria aos 45 anos, e que em muito condicionou toda a sua vida, até mesmo por, em virtude da sua colocação em Guimarães, aí ter conhecido aquela que viria a ser sua mulher. Nas suas próprias palavras, “no tempo em que fui tropa, vivi sempre enrascado”, mas, paralelamente, manteve uma carreira de jornalista e foi publicando uma extensa e multifacetada obra literária, que o tornaria um dos escritores que, a par de Fernando Pessoa, mais influíram na evolução da literatura portuguesa do século XX. Hoje, quando passam 80 anos da sua morte, destacámos este insigne autor, prosador, ficcionista, dramaturgo e pintor.

Rainer Maria Rilke

Dançarina Espanhola

“Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trémulos arrancos.

E logo ela é só flama, inteiramente.

Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com a arte subtil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.

Então, como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés-do-chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.”

(Tradução de Augusto de Campos)

Rainer Maria Rilke

Rainer Maria Rilke

Celebramos hoje, ao passarem 135 anos do seu nascimento, um autor de origem austríaca, tido como um dos mais importantes poetas modernos da literatura e língua alemã, pela sua obra inovadora e pelo seu incomparável estilo lírico.

Viveu uma juventude muito dura, em parte pela sua formação militar, que foi forçado a abandonar por motivos de saúde, após o que se dedicou à Poesia, com o apoio determinante de vários mecenas aristocratas.

A sua obra atingiu grande popularidade durante a Primeira Guerra Mundial e foi redescoberta nos anos de 1950, sendo actualmente considerado um clássico da literatura mundial. “O desenvolvimento da sua poesia parte de uma lírica que trabalha com sentimentos, passando pelos ‘poemas-objecto’ de grande virtuosismo, até as exaltações mágicas e as mensagens quase indecifráveis.”

Ann Patchett

Ann Patchett

Ann Patchett

É autora de quatro romances, ”The Patron Saint of Liars”, eleito Livro Notável do Ano pelo The New York Times, “Taft”, que recebeu o Janet Heidinger Kafka Prize, ”The Magician’s Assistant”, pelo qual a autora recebeu uma bolsa Guggenheim e ”Bel Canto”, distinguido com o PEN/Faulkner Award e o inglês Orange Prize, eleito Livro do Ano Book Sense e finalista do National Book Critics Circle Award e já traduzido em trinta línguas.

O seu livro de não-ficção, ”Truth & Beauty”, foi um bestseller do The New York Times e recebeu o Books for a Better Life Award. No dia em que celebra o seu 47.º aniversário, destacamos Ann Patchett.

Woody Allen

“Há dois tipos de pessoas neste mundo: boas e más. O sono das boas é melhor, mas as más parecem gozar muito mais as horas de vigília.”

(Woody Allen)

Woody Allen

Woody Allen

Seria interminável a quantidade de frases de humor mordaz e satírico que se poderiam citar deste autor, que é sobretudo famoso como cineasta. Realizador prolífico e muito premiado, já com 46 obras produzidas, os seus filmes tem sempre fortes traços autobiográficos e falam sobre neuroses comportamentais do dia-a-dia, com uma crítica cáustica e subtil, em longos diálogos analíticos.

Sendo um dos preferidos nas nomeações aos Óscares da Academia de Hollywood (recordista para o melhor guião), sempre a votou a um relativo desprezo, excepto em 2002, quando finalmente compareceu na cerimónia para fazer uma emocionante homenagem à cidade de Nova York, após os atentados de 11 de Setembro.

Além de comediante, director, guionista e actor de cinema, também é músico e toca clarinete semanalmente num bar de Nova York. A sua ligação com a música, principalmente com o Jazz, pode ser constatada em todos os seus filmes, nos quais é responsável também pela escolha da banda sonora.

“É sem dúvida um vulto da realização, um autêntico símbolo da cidade de Nova York que ele representa sempre com muito orgulho. Apesar de ter uma personalidade bastante reservada, conseguiu o sucesso no mundo do cinema. Pode ser bastante excêntrico, mas isso não lhe tira o grande talento na realização, escrita e interpretação. Woody Allen é uma forma cinematográfica quase perfeita.” (in http://portalcinema.blogspot.com/2007/11/biografia-woody-allen.html)

Descreve-se a si próprio da seguinte maneira: “As pessoas enganam-se sempre em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual, porque uso óculos, e que sou um artista, porque os meus filmes perdem sempre dinheiro”.

Damos os parabéns a este inigualável artista, no dia em perfaz 75 anos.

Fernando Pessoa

‎”Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Fernando Pessoa

Foi um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.

Marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal) e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos.

Quando passam 75 anos da sua morte, evocamos Fernando Pessoa.

Alberto Moravia

“É mais fácil ter ciúmes de um amigo feliz, do que ser generoso para um amigo que esteja na desgraça. (…) Creio que a amizade é mais difícil e mais rara do que o amor. Por isso, há que salvá-la a todo o custo.”

(Alberto Moravia)

Alberto Moravia

Perseguido pelo regime fascista de Mussolini e, depois, condenado pelo Vaticano, tinha obtido a consagração com a publicação, em 1929, de “Os Indiferentes”, mas as suas obras-primas são “O Conformista” (1951) e “O Desprezo” (1954).

O seu interesse pela literatura nasce no período em que é hospitalizado para se tratar de tuberculose e, desde cedo, começou a colaborar como cronista em jornais e revistas italianos. Tendo tido que se refugiar no anonimato como guionista, durante o regime de Mussolini, acabou por se inserir no mundo do cinema e alguns dos seus melhores livros foram convertidos à “sétima arte”, por realizadores tão notáveis como Jean-Luc Godard ou Bernardo Bertolucci.

Sabe-se agora que, em 1958, terá perdido o Prémio Nobel da Literatura por causa duma jogada de lobby da CIA, em plena Guerra Fria, junto da Academia Sueca, para contrariar a União Soviética. Nesse ano, o Prémio foi entregue a Borís Pasternak, um escritor russo dissidente político, pela obra Doctor Zhivago, impressa e publicada à última hora no Ocidente, depois de banida no seu país de origem.

Celebramos hoje, no 103.º aniversário do seu nascimento, um incontornável e controverso autor italiano, que “tem sido lembrado como uma das mais completas e complexas figuras literárias do século passado. Ficcionista acima de tudo, sem dúvida, mas também intelectual participante, testemunha da luta antifascista no seu país e homem que praticou o diálogo permanente entre a literatura e o cinema.” (Luiz Zanin).

Alexandre Dumas, filho

‎”O que as grandes e puras afeições têm de bom é que depois da felicidade de as ter sentido, resta ainda a felicidade de recordá-las”

(Alexandre Dumas, filho)

Alexandre Dumas, filho

Sofreu uma infância muito traumatizada, em parte pela sua filiação ilegítima e pela separação forçada da sua mãe, mas também por uma ascendência parcialmente negra, o que lhe valeu uma constante hostilização dos seus colegas de escola e ainda pelo facto de o seu pai, o celebérrimo escritor homónimo Alexandre Dumas, ter tardado em legitimar a sua perfilhação.

A sua obra literária acabou por ser irremediavelmente marcada por estas circunstâncias, quer nos temas escolhidos, quer nas questões levantadas. Uma paixão por uma jovem cortesã, que lhe granjeou ainda mais censura social, inspirou-lhe a sua obra mais afamada, “A Dama das Camélias” que, por sua vez, inspirou Giuseppe Verdi para a obra-prima, “La Traviata”.

Mas o seu livro mais admirado é o romance semi-autobiográfico “L’affaire Clemenceau”, publicado em 1867. Veio a ser admitido na Academia Francesa e agraciado com a “Légion d’Honneur”. Quando passam 115 anos da sua morte, recordámos este singular escritor francês.

Mário Cesariny

«Lembra-te que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro vividos.»

Mário Cesariny

Poeta, autor dramático, ficcionista, crítico, ensaísta, tradutor e artista plástico português. Figura maior do surrealismo português, promoveu a técnica conhecida por “cadáver esquisito”, que consistia na elaboração de uma obra por um grupo de pessoas, num processo em cadeia criativa, na qual cada uma dava seguimento à criatividade da anterior. Foi ainda colaborador em várias publicações periódicas como o Jornal de Letras e Artes e Cadernos do Meio-Dia, entre outras.

Em 2005, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, entregue pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, e, em Novembro desse mesmo ano, foi galardoado com o Grande Prémio Vida Literária, uma homenagem à sua notável contribuição para a literatura portuguesa. Relembramos Mário Cesariny, 4 anos após a sua morte.

Eça de Queirós

«O amor, (…), como tu sabes é feito de muitos sentimentos diferentes. Alguém escreveu, creio que até fui eu, que era uma bela flor com raízes diversas. Ora quando uma dessas raízes é a estima absoluta pode ele ao fim de longos anos secar pelas outras raízes mas permanecer vivo por essa.»

Eça de Queirós

É um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa. Notabilizou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem, nomeadamente pelo realismo descritivo e pela crítica social constantes nos seus romances. Foi, como disse Jacinto Prado Coelho «mais analista social do que psicólogo (…) ironizou Portugal porque muito o amava e o queria melhor».

Autor de obras como: “O Primo Basílio”, “O Crime do Padre Amaro”, “A Relíquia” e “Os Maias”, esta última considerada a sua obra-prima, destacamo-lo, no 165.º aniversário do seu nascimento.

Arundhati Roy

«(…) o segredo das Grandes Histórias é elas não terem segredo nenhum. (…) são aquelas que já ouvimos (…) que não nos enganam (…) não nos surpreendem (…) são familiares (…) Sabemos como acabam, porém ouvimo-las como se não soubéssemos. Tal como, embora sabendo que um dia havemos de morrer, vivemos como se não o soubéssemos.»

(Arundhati Roy in ”O Deus das Pequenas Coisas”, pp. 239).

Arundhati Roy

Escritora, novelista e activista anti-globalização, venceu o Man Booker Prize em 1997, pela sua primeira obra, ”O Deus das Pequenas Coisas”, traduzida em dezasseis línguas e que constituiu um acontecimento literário em todos os países onde foi publicado. Ganhou ainda o Lannan Cultural Freedom Prize, em 2002. No dia em que celebra o seu 49.º aniversário, destacamos Arundhati Roy.

Herberto Helder

O Poema

«Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silêncio
a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das cisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério

E o poema faz-se contra a carne e o tempo.»

Herberto Helder

É considerado uma das figuras mais importantes da poesia experimental ou concreta, bem como um dos seus principais cultores. É classificado como um poeta visionário e órfico, detém um lugar cativo na poesia surrealista portuguesa. A sua obra é complexa e, sem dúvida, uma das mais altas expressões da poesia portuguesa contemporânea.

Autor de obras tão conhecidas como ”Os Passos em Volta”, ”Ofício Cantante” e ”Bebedor Nocturno”, foi galardoado com o Prémio Pessoa em 1994. No dia em que celebra o seu 80.º aniversário, destacamos e damos os parabéns a Herberto Helder.


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