Archive for the 'Notoriedades' Category



Alan Furst

«Uma pessoa é o que tiver coragem de fingir ser»

(Alan Furst)

Alan Furst

Alan Furst

Destacámos hoje, no dia do seu 70.º aniversário, um escritor consagrado internacionalmente como o mais celebrado autor de romances de espionagem norte-americano. Foi professor universitário de literatura, em França, e depois jornalista da Esquire Magazine e do International Herald Tribune, altura em que viajou bastante pela Europa de Leste.

Os seus livros mais vendidos, best-sellers nos Estados Unidos, são “O Oficial Polaco” e o não menos afamado “O Correspondente”. A forma da sua escrita combina magistralmente a acção com a emoção, pelo que tem sido justamente comparado pela crítica com John le Carré, ou Graham Greene.

Bibliografia de Alan Furst

António Gedeão

Lágrima de preta

António Gedeão

António Gedeão

“Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio. 

(António Gedeão)

Pseudónimo de Rómulo de Carvalho, a sua vida profissional foi dedicada à investigação, à pedagogia e ao ensino das Ciências Físico-Químicas, nos vários liceus por onde passou, desde o Camões (Lisboa), ao D. João III (Coimbra), ou ao Pedro Nunes (Lisboa). “Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e coordenando obras no campo da história das ciências e das instituições.” Exigente e rigoroso, comunicador por excelência, mas discreto, calmo e algo distante, afirmava assertivamente que “ser Professor tem de ser uma paixão, pode ser uma paixão fria, mas tem de ser uma paixão, uma dedicação.”

Só em 1956, aos 50 anos de idade e após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, se revela como poeta, mas usando já o seu pseudónimo artístico e deixando no anonimato o professor. A originalidade da sua obra é difícil de catalogar e “as suas fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo único pelo homem que, com rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção”, como a inesquecível “Pedra Filosofal”, adoptada como hino à liberdade e ao sonho. (cit. de http://www.astormentas.com/)

Na data do seu 90.º aniversário, foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada. Perfazem-se hoje 14 anos da sua morte, que deixou saudade em todos quantos o conheceram e assim o homenageamos.

Bibliografia de António Gedeão

Alain Robbe-Grillet

‎”Um livro ou um filme é uma aventura que se contesta e que se destrói, ao mesmo tempo que se elabora. É um jogo permanente, do imaginário.”

(Alain Robbe-Grillet)

Alain Robbe-Grillet

Alain Robbe-Grillet

Através do contacto com Nathalie Serraute e Claude Simon, apaixonou-se pela literatura, tendo sido um dos criadores do movimento nouveau roman dos anos 50, alicerçado na «anti-novela», pois nos seus textos eliminou qualquer premissa psicológica, incidindo a sua escrita sobre uma descrição neutra das formas e dos objectos.

”Entre Dois Tiros”, ”Djinn”, Uma Mancha Vermelha no Pavimento Estragado e ”Les Derniers Jours de Corinth” foram os seus títulos mais significativos. Foi convidado por Alain Resnais para ser o argumentista do filme-culto L’ Année dernière à Marienbad (O Último Ano em Marienbad, 1961) que veio a ser premiado com o Leão de Ouro do Festival de Veneza. (in Infopédia)

Quando passam 3 anos da sua morte, destacamos Alain Robbe-Grillet.

Bibliografia de Alain Robbe-Grillet

Ruth Rendell

Ruth Rendell

Ruth Rendell

Publicou o seu primeiro livro em 1964, com o título “From Doon With Death”. Neste romance, a escritora apresentava o Inspector Reginald Wexford, detective da pequena localidade de Kingsmarkham, personagem que obteve desde o começo grande popularidade. Seguiram-se muitos outros volumes, entre os quais “To Fear A Painted Devil” (1965), “Vanity Dies Hard” (1966) e “Wolf To The Slaughter” (1967).

Durante a década de 80, começou a publicar romances policiais utilizando o pseudónimo Barbara Vine, para exprimir uma sua faceta mais psicológica.

Publicou cerca de meia centena de livros policiais, que a crítica dividiu em três categorias. Uma série dedicada ao Inspector Wexford, uma outra à psicologia patológica e os romances que assinou como Barbara Vine.

Vencedora de vários prémios literários da especialidade, foi nomeada membro vitalício da Câmara dos Lordes do Parlamento Britânico, com o título de baronesa.

No dia em que celebra o seu 81.º aniversário, destacamos Ruth Rendell.

Bibliografia de Ruth Rendell

Angela Carter

Angela Carter

Angela Carter

Foi uma escritora inglesa, muito conhecida pela sua literatura pós-feminista e pelo seu realismo mágico, sem falar em trabalhos de ficção científica.

Escritora prolífica, em muitas áreas, do romance ao ensaio, da literatura fantástica à infantil, o seu interesse simultâneo pelo feminismo e pela literatura levou-a a reescrever, pelo ponto de vista feminino, textos de autores como o Marquês de Sade e Baudelaire.

Não se enquadrava nos padrões convencionais da cultura dos países de língua inglesa e procurava conhecer outras culturas e outras línguas. Era fluente em francês e alemão.

Quando passam 19 anos da data da sua morte, relembramos Angela Carter.

Bibliografia de Angela Carter

Elio Vittorini

Elio Vittorini

Elio Vittorini

Sem dúvida um nome incontornável na literatura italiana do século XX, o escritor que destacámos hoje, 45 anos após a sua morte, e que se distinguiu também como tradutor, crítico e editor, “foi como um timoneiro para a sua geração”. Militante anti-fascista, o que lhe valeu uma breve passagem pela prisão, de onde iniciou a sua colaboração na Resistência, como responsável pela imprensa clandestina, foi um dos mais expressivos e atentos animadores do debate cultural do pós-guerra.

Bibliografia de Elio Vittorini

Charles Schulz

“Charlie Brown: Dizem que a força da gravidade é 13% menor do que era há 14,5 bilhões de anos atrás.
Lucy: De quem é a culpa?
Charlie Brown: Culpa? Não há culpa!
Lucy: O que quer você dizer “Não há culpa?” Tem que ser culpa de alguém! Alguém tem de ser culpado! Encontre um bode expiatório!”

“Linus van Pelt: O objectivo da escola é estudar, estudar e estudar; para ir para o segundo grau e estudar, estudar e estudar; para ir para a faculdade e estudar, estudar e estudar; para conseguir um bom emprego, constituir família e ter filhos. Filhos que vão para a escola, para estudar, estudar e estudar…”

“Lucy: Veja de outra maneira, Charlie Brown, nós aprendemos muito mais com as falhas do que com as vitórias.
Charlie Brown: Isso faz de mim a pessoa mais esperta do mundo.”

Charles M. Schulz

Charles M. Schulz

“Charlie Brown”, “Snoopy” e “Lucy”, entre outras, são algumas das famosas personagens dos “Peanuts”, banda desenhada que começou a aparecer em jornais americanos em 1947, inicialmente sob o título “Li’l Folks” e que, desde logo, granjearam grande sucesso, tendo, mais tarde, passado ao cinema, em desenho animado, e que foram dando origem a uma quantidade interminável e muito popular de produtos, de muito diversa natureza, com as simpáticas e cómicas figuras dos “Peanuts” e as suas sempre desconcertantes e irónicas frases.

Celebramos hoje o seu genial criador e autor, 11 anos após a sua morte. Schulz, que em 1996 ganhou uma estrela na “calçada da fama” de Hollywood, decretou, antes de morrer, que a sua obra não poderia ter continuidade, embora, sem dúvida, se tenha imortalizado. David Michaelis, no seu livro “Peanuts and Schulz: A Biography” (Harper Collins, 2007), veio a revelar que muito desta banda desenhada constitui afinal uma espécie de autobiografia do seu criador e as suas personagens estão inspiradas por pessoas do quotidiano de Charles Schulz e algumas das suas sequências são referências a factos da sua vida.

Bibliografia de Charles Schulz

Sylvia Plath

ESPELHO

“Sou de prata e exacto. Não faço pré-julgamentos.
O que vejo engulo de imediato
Tal como é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, simplesmente verídico –
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Reflicto todo o tempo sobre a parede em frente.
É rosa, manchada. Fitei-a tanto
Que a sinto parte do meu coração. Mas cede.
Faces e escuridão insistem em separar-nos.

Agora eu sou um lago. Uma mulher se encosta a mim,
Buscando na minha posse o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o brilho e a lua.
Vejo as suas costas e reflicto-as na íntegra.
Ela paga-me em choro e em agitação de mãos.
Eu sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã a sua face alterna com a escuridão.
Em mim se afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrível.”

Sylvia Plath

Sylvia Plath

«Há quem veja nela a mártir romântica, autora de uma obra vivida intensamente até à exaustão que com ela se vai diluindo. Há quem veja nela a precursora do feminismo, da revolta contra um universo normativo masculino. Há quem veja nela o discurso político, pacifista, participando das movimentações ideológicas contra o sistema que atingirão o auge nos finais da década seguinte. Há quem veja na sua obra um eco estruturado de rituais iniciáticos. Há quem veja nela um espaço privilegiado para explicações edipianas ou reflexões sobre a esquizofrenia. Há ainda quem, cioso de saudáveis costumes pedagógicos, alerte para os perigos decorrentes da leitura e do ensino de textos constantemente enunciando experiências de limite. Talvez muito disso lá se encontre, mas não só. (…)» (Mário Avelar, no posfácio de “A Campânula de Vidro”)

Poetisa e romancista, de ascendência alemã, foi uma criança dotada e ambiciosa, que viu morrer o pai quando tinha oito anos, o que a marcou profundamente.

Numa busca pela perfeição e pela beleza poética e num tom confessional e autobiográfico, Plath aborda, como temáticas recorrentes da sua escrita, a paixão e as condições sociais e biológicas da identidade feminina. Em 2003, foi realizado o filme Sylvia (de Christine Jeffs), sendo Sylvia Plath interpretada por Gwyneth Paltrow e Ted Hughes por Daniel Craig.

Suicidou-se a 11 de Fevereiro de 1963, com apenas 30 anos de idade, no seu apartamento em Londres, intoxicada com gás.

Relembramos Sylvia Plath quando passam 48 anos da sua morte.

Bibliografia de Sylvia Plath

Boris Pasternak

«Também a vida é só um instante,
apenas um dissolver-se,
de nós mesmos nos outros,
Como um dom que se faz.

Apenas um rumor de bodas que,debaixo,
irrompe pelas janelas,
nada além de um canto, um sonho,
uma pomba azul-cinzentada.»

Boris Pasternak

Boris Pasternak

Poeta e romancista russo, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1958, “pelo seu importante feito tanto na lírica poética contemporânea como na área da grande tradição épica russa”, depois de ter publicado clandestinamente o romance Doutor Jivago em Itália, em 1957.

Em 1959, a revista britânica “New Statesman” publica um poema de Pasternak, titulado “O Prémio Nobel” – “Que espécie de truque sujo é que terei feito, serei um assassino, um vilão? / Eu, que deixei o mundo inteiro a chorar pela beleza da minha pátria”. O regime soviético acusou-o de traição e ameaçou-o de prisão se voltasse a ter qualquer tipo de contactos com estrangeiros.

Quando passam 121 anos do seu nascimento, destacamos Boris Pasternak.

Bibliografia de Boris Pasternak

J. M. Coetzee

«A ideia de que um escritor é um sábio está praticamente morta hoje em dia. Eu iria sentir-me muito desconfortável nesse papel.»

J. M. Coetzee

J. M. Coetzee

É um dos mais respeitados escritores sul-africanos contemporâneos, autor de ficção, ensaios de crítica literária e memórias. Galardoado com o prémio Nobel de Literatura em 2003, venceu por duas vezes o Man Booker Prize com os livros “A Vida e o Tempo de Michael K.” e “Desgraça”.

Foi professor de inglês na Universidade do Estado de Nova Iorque mas, depois de lhe ser negado o direito de residência permanente nos EUA, regressou à África do Sul, onde ensinou na Universidade da Cidade do Cabo. Personalidade muito reservada, não gosta das luzes da fama e dá raramente entrevistas, tendo faltado às cerimónias de entrega dos prémios Booker. Dele disse Saramago, a propósito do Nobel, “(…) é um grande escritor, com uma postura ética desassombrada.”

Publicou mais de uma dezena de livros, pelos quais recebeu vários prémios antes do Nobel, entre eles, o CNA Prize e o Irish Times Internacional Fiction Prize” e foi o primeiro escritor a receber duas vezes o Booker Prize. No dia em que celebra o seu 71.º aniversário, destacamos J. M. Coetzee.

Bibliografia de J. M. Coetzee

John Grisham

John Grisham

John Grisham

Começou a escrever nas poucas horas vagas que a sua carreira como advogado lhe permitia. As suas especialidades eram defesa criminal e processos por danos físicos.

Foi o caso de uma vítima de estupro de apenas 12 anos que o inspirou a escrever sobre o universo jurídico. Esse primeiro romance, “Tempo de matar”, foi publicado em 1988. Desde então, o ofício de escritor acabou tornando-se prioritário na sua vida.

Hoje, é um dos seis autores mais lidos nos EUA, onde os seus livros já venderam cerca de 100 milhões de exemplares, ocupando as listas dos mais vendidos, por anos a fio. Sete dos seus romances tornaram-se filmes de sucesso, como “A Firma”, “O Dossier Pelicano”, “O Cliente” e “O homem que fazia chover”.

No dia em que celebra o seu 56.º aniversário, destacamos John Grisham.

Bibliografia de John Grisham

Sinclair Lewis

Sinclair Lewis

Sinclair Lewis

Escritor e crítico social norte-americano, conhecido pelos trabalhos satíricos e documentários, foi o primeiro do seu país a receber o Prémio Nobel de Literatura, em 1930.

Trabalhou como repórter e editor de diversas publicações. Em 1914 estreia-se com o romance ”Our Mr. Wrenn”, que faz sucesso na crítica, mas não no público.

Escreve, em 1920, Main Street considerada uma das suas mais importantes obras de crítica social, que mostra o isolamento de uma rapariga do Leste que se casa com um médico e vai morar numa retrógrada cidade do interior.

Dois anos depois escreve ”Babbitt”, história de um empresário de meia-idade submetido ao espírito conformista de seu meio. O nome do personagem principal virou sinónimo de provincianismo e conservadorismo.

Com ficha no FBI, acusado de “radicalismo” e de “viver na companhia de uma mulher com quem não estava casado”, acaba por ser envolvido na “caça às bruxas” desencadeada em 1950 pelo senador McCarthy e sai dos Estados Unidos, indo viver para Roma, onde morre no ano seguinte, a 10 de Janeiro.

Quando passam 126 anos do seu nascimento, destacamos Sinclair Lewis.

Bibliografia de Sinclair Lewis

José Craveirinha

Um Homem Nunca Chora

«Acreditava naquela historia
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!»

(José João Craveirinha)

José Craveirinha

José Craveirinha

Distinguiu-se como desportista, enquanto praticante e treinador, nas modalidades de atletismo e futebol. Depois foi jornalista, cronista e poeta, no semanário “O Brado Africano”, onde fazia um pouco de tudo e no “Notícias” e na “Tribuna”, entre outros, todos periódicos de Moçambique, tendo escrito sob vários pseudónimos. Veio a ser preso pela polícia política, durante 5 anos, em Lourenço Marques, onde privou com Malangatana, na célebre Cela 1.

É consensualmente considerado o grande poeta de Moçambique e tornou-se, em 1991, o primeiro autor africano a receber o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da Língua Portuguesa. Publicou o seu primeiro livro, “Xigubo”, em 1964 e a sua consciência política surge em obras como “O Grito e o Tambor”. “Maria”, o último livro que escreveu, é dedicado à sua mulher, cuja morte prematura em 1979 muito o afectou.

A sua resenha auto-biográfica discorre assim: «Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Pela parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai fiquei José. Aonde? Na Avenida do Zichacha, entre o Alto Mae e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres. Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato. A seguir fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: o seu irmão. E a partir de cada nascimento eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique (…)»

Relembramos “o maior poeta africano de expressão portuguesa”, 8 anos após ter falecido.

Bibliografia de José Craveirinha

William S. Burroughs

“Depois de uma olhadela neste planeta, qualquer visitante extraterrestre dirá: eu quero falar com o gerente.”

(William S. Burroughs)

William S. Burroughs

William S. Burroughs

Relembrámos hoje, no 97.º aniversário do seu nascimento, um escritor norte-americano, cujas vida, muito controversa e obra, incialmente censurada, exerceram grande influência na geração Beat dos anos 50, nomeadamente sobre Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Foi empregado de bar, jornalista e detective privado e viveu viciado em drogas. A sua vida veio a ser muito marcada por, num acidente trágico, em 1951, ter morto a mulher com um tiro acidental, facto abordado na introdução do seu livro “Queer”.

A sua obra mais conhecida, “Naked Lunch” (“Festim Nu”), foi convertida ao cinema, por David Cronenberg, em 1991. Participou também em inúmeros álbuns musicais, recitando poemas ou outros textos, incluindo trabalhos de Frank Zappa, John Cage, Philip Glass, Laurie Anderson, The Doors e Kurt Cobain.

Segundo ele próprio, “sentia horror por uma sociedade que criava um estado policial para controlar o desejo de fumar um cigarro no trabalho, bar ou restaurante. Duvidava da qualidade da vida. Tinha fé apenas em si mesmo.”

Bibliografia de William S. Burroughs

Hilda Hilst

Dez Chamamentos ao Amigo

«Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse.

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.»

Hilda Hilst

Hilda Hilst

Foi uma poetisa, escritora e dramaturga brasileira.

Escreveu por quase cinquenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prémios literários do Brasil. Em 1962, recebeu o Prémio PEN Clube de São Paulo, por Sete ”Cantos do Poeta para o Anjo” (1962).

Em 1969, a peça ”O Verdugo” arrebata o Prémio Anchieta, um dos mais importantes do país na época. Em 1984, a Câmara Brasileira do Livro concede o Prémio Jabuti, idealizado por Edgard Cavalheiro (1959) a ”Cantares de Perda e Predileção” (1983) e, no ano seguinte, a mesma obra recebe o Prémio Cassiano Ricardo (Clube de Poesia de São Paulo). ”Rútilo Nada”, publicado em 1993, leva o Prémio Jabuti como melhor conto. E, finalmente, em 9 de agosto de 2002, é premiada na 47.ª edição do Prémio Moinho Santista na categoria Poesia.

Alguns dos seus textos foram traduzidos para francês, inglês, italiano e alemão.

Quando passam 7 anos da sua morte, destacamos Hilda Hilst.

Bibliografia de Hilda Hilst

Henning Mankell

Henning Mankell

Henning Mankell

O seu primeiro romance foi publicado em 1973, mas tornou-se conhecido em todo o mundo com a obra ”Assassino Sem Rosto” e outros romances policiais, em que o protagonista é o oficial da Polícia de Ystad, Kurt Wallander. Publicou ainda muitos romances para crianças e jovens, sendo frequentemente premiado. As suas obras já venderam mais de 30 milhões de exemplares em mais de 40 países. Desde há muito tempo, divide o seu tempo entre a Suécia e Moçambique, onde trabalha como director do Teatro Avenida.

Foi considerado pelo Observer e pelo The Times como «um dos mais brilhantes escritores de policiais».

No dia em que celebra o seu 63.º aniversário, destacamos Henning Mankell.

Bibliografia de Henning Mankell

Tom Wolfe

«Um conservador é um liberal que foi assaltado»

Tom Wolfe

Tom Wolfe

Jornalista e escritor norte-americano, valeu-se de uma estratégia mais ou menos simples para se tornar um dos autores mais populares dos EUA, ao misturar técnicas da narrativa ficcional com o impacto do jornalismo investigativo e nascendo daí o que se convencionou chamar de “new journalism”, movimento jornalístico dos anos 60 e 70, do qual Wolfe é o papa. Com essa receita vitoriosa, pintou verdadeiros retratos da sociedade americana, vista por ele sempre com uma dose de cinismo, ironia e, às vezes, escárnio.

O seu maior sucesso é o romance ”A Fogueira das Vaidades” (1986), um painel da cultura e da moral yuppie de Wall Street. É também é conhecido por ter cunhado expressões como “radical chic” e a “década do eu”.

No dia em que celebra o seu 80.º aniversário, destacamos Tom Wolfe.

Bibliografia de Tom Wolfe

Fernando Assis Pacheco

SEM QUE SOUBESSES

«Falei de ti com as palavras mais limpas,
viajei, sem que soubesses, no teu interior.
Fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,
tropeçavas em mim e eu era uma sombra
ali posta para não reparares em mim.

Andei pelas praças anunciando o teu nome,
chamei-te barco, flor, incêndio, madrugada.
Em tudo o mais usei da parcimónia
a que me forçava aquele ardor exclusivo.

Hoje os versos são para entenderes.
Reparto contigo um óleo inesgotável
que trouxe escondido aceso na minha lâmpada
brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias.»

Fernando Assis Pacheco

Fernando Assis Pacheco

Foi um brilhante tradutor, tendo vertido para língua portuguesa obras de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez, entre outros. O seu nome nunca será esquecido no mundo do jornalismo, tendo trabalhado no Jornal de Letras, Artes e Ideias, Diário de Lisboa e República. As suas principais obras de poesia são ”Cuidar dos Vivos”, ”Memória do Contencioso” e ”A Musa Irregular”. Em prosa, deixou-nos obras como ”Walt” e ”Trabalhos e Paixões de Benito Prada”, ”Galego da Província de Ourense que Veio a Portugal Ganhar a Vida”.

No dia em que faria 74 anos, relembramos Fernando Assis Pacheco.

Bibliografia de Fernando Assis Pacheco

Fernando Namora

Poema de Amor

«Se te pedirem, amor, se te pedirem
que contes a velha história
da nau que partiu
e se perdeu,
não contes, amor, não contes
que o mar és tu
e a nau sou eu.

E se pedirem, amor, e se pedirem
que contes a velha fábula
do lobo que matou o cordeiro
e lhe roeu as entranhas,
não contes, amor, não contes
que o lobo é a minha carne
e o cordeiro a minha estrela
que sempre tu conheceste
e te guiou — mal ou bem.

Depois, sabes, estou enjoado
desta farsa.
Histórias, fábulas, amores
tudo me corre os ouvidos
a fugir.

Sou o guerreiro sem forças
para erguer a sua espada,
sou o piloto do barco
que a tempestade afundou.

Não contes, amor, não contes
que eu tenho a alma sem luz.

…Quero-me só, a sofrer e arrastar
a minha cruz.»

Fernando Namora

Fernando Namora

Foi poeta do ”Novo Cancioneiro”, tendo, nos seus primeiros livros de ficção, partilhado das ideias do Neo-realismo. Mais tarde, enveredou por um caminho mais próprio. Foi um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que se ligou uma linguagem de grande carga poética. Escreveu, para além de obras de poesia e romances, contos, memórias e impressões de viagem.

Quando passam 22 anos da sua morte, relembramos Fernando Namora.

Bibliografia de Fernando Namora

Sidney Sheldon

“Nada pode impedi-lo quando você estabelece um objectivo. Ninguém pode impedi-lo, a não ser você mesmo. Eu acredito nisso.”

(Sidney Sheldon)

Sidney Sheldon

Sidney Sheldon

Ao passarem 4 anos da sua morte, ocorrida dias antes de completar 90 anos de idade, relembramos o escritor tido pelo Guinness como o mais traduzido em todo o mundo e o único que recebeu quatro dos mais cobiçados prémios da indústria cultural norte-americana, o Óscar (no Cinema), o Emmy (na TV), o Tony (no Teatro) e o Edgar (na Literatura de suspense). Dos seus livros, todos best-sellers, venderam-se mais de 300 milhões de exemplares, em 51 idiomas. Foi também um prolífico guionista de séries de televisão e filmes de Hollywood.

Para poder sobreviver, começou por fazer quase de tudo, desde vendedor de sapatos, a locutor de rádio, ou estafeta de uma drogaria e arriscou ainda, mas sem êxito, afirmar-se como compositor de música, em Nova York, até que, depois de se mudar para Hollywood, para tentar a sua sorte, conseguiu que lhe comprassem um guião para um filme e passou então a dedicar-se profissionalmente a esta actividade. Só muito mais tarde veio a escrever o seu primeiro livro, arte para que antes se julgava incapaz.

Mestre do suspense, mas nada apreciado pela crítica, considera que o êxito dos seus romances se deve “ao facto de que escrevo histórias que cativam a imaginação dos leitores. Os meus romances têm personagens que o público costuma considerar interessantes, passam-se em lugares glamourosos e geralmente são divertidos.” Na sua autobiografia, o último livro que publicou, confessou ter tentado suicidar-se aos 17 anos.

Bibliografia de Sidney Sheldon


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