Archive for the 'Notoriedades' Category



Halldór Laxness

Halldór Laxness

Halldór Laxness

É um verdadeiro mágico das palavras, usa uma vasta gama de estilos, conseguindo sempre surpreender o leitor e detém uma imaginação e recursos técnicos inesgotáveis. Venceu o Nobel de Literatura em 1955, justificando-o a Academia “pelo seu poder épico vivido que renovou a grande arte narrativa da Islândia”. Passam hoje 109 anos do seu nascimento e não teríamos melhor escolha para distinguir, no Dia Mundial do Livro.

Bibliografia de Halldór Laxness

Guillermo Cabrera Infante

«A minha ideia de felicidade é estar sentado sozinho no vestíbulo de um velho hotel depois de um jantar tardio (…). É então que, na obscuridade, fumo em paz o meu charuto.»

Guillermo Cabrera Infante

Guillermo Cabrera Infante

Um dos grandes expoentes da literatura cubana, chegou a apoiar a primeira fase da Revolução Castrista, mas acabou rompendo com Fidel Castro, tornando-se um dos seus maiores críticos, após o que renunciou à carreira diplomática, exilando-se definitivamente na Europa, em Londres, muito decepcionado com o regime Cubano e nacionalizando-se britânico. Tinha começado por estudar medicina, mas dedicou-se à escrita, ao jornalismo e ao cinema, tendo então chegado a usar, para iludir a censura política, o pseudónimo de G. Caín, antes de ser nomeado, pelo governo de Fidel, adido cultural em Bruxelas.

A sua vocação literária manifestou-se desde muito cedo e é autor de uma vasta obra que se desenvolve em muitos géneros, desde ensaios, a crónicas, guiões ou romances, de entre os quais o celebérrimo “Três Tristes Tigres”, ao qual chamava “TTT” e que originariamente se denominou “Ella cantaba boleros”. Celebramos hoje, na data em que cumpriria 82 anos, este escritor, galardoado, em 1997, com o Prémio Cervantes.

Bibliografia de Guillermo Cabrera Infante

Charlotte Brontë

Charlotte Brontë

Charlotte Brontë

O seu livro mais afamado, uma autobiografia ficcionada com um enredo melodramático e que lhe granjeou êxito imediato, foi “Jane Eyre”, mas toda a sua obra reflecte a sua revolta contra uma infância, vivida juntamente com as duas irmãs, Emily e Anne, reclusa, reprimida e taciturna. Tentaram depois fundar uma escola, mas sem êxito e decidiram-se então pela escrita, como forma de sobrevivência, material e existencial.

Os seus livros, alguns romances famosos e um volume de poesia escrito a meias com as irmãs, caracterizaram-se por tratarem de mulheres em conflito com os seus desejos e a sua condição social e marcaram o início de uma nova etapa no romance do século XIX. Passam hoje 195 anos do seu nascimento.

Bibliografia de Charlotte Brontë

Paul Celan

À NOITE O TEU VENTRE…

“À noite o teu ventre é castanho da febre de Deus.
A minha boca agita tochas sobre a tua face.
Nada pesa a quem nunca ouviu uma canção de embalar.
Com a mão cheia de neve e incerto

como os teus olhos azuis, à hora redonda,
dirigi-me a ti. (A lua de outrora era mais redonda.)
O milagre soluça nas tendas vazias,
o jarrinho do sonho enregelou – que fazer?

Lembra-te: uma folha enegrecida pendia no sabugueiro
belo sinal para a taça do sangue.”

(Tradução de Luís Costa)

Paul Celan

Paul Celan

Considerado um dos mais importantes poetas de língua alemã do Pós-guerra, vencedor do Prémio Georg Büchner, em 1960, romeno de nascimento, o seu verdadeiro nome era Paul Antschel, de cuja pronúncia derivou o seu pseudónimo. Viu os seus pais morrerem tragicamente em campos de concentração nazis, devido à sua origem judia e também ele esteve então detido e sujeito a trabalhos forçados, tendo sido libertado pelos soviéticos. Decepcionado com o regime comunista, em cuja ideologia socialista tinha antes militado, refugiou-se primeiro em Viena e depois fixou-se em Paris, onde veio a suicidar-se, por afogamento no rio Sena, fazem hoje 41 anos.

A sua obra, composta por mais de 800 poemas, evoca de forma muito marcada e singular o sofrimento judeu no Holocausto e, em especial, o drama da sua própria vivência. Tendo chegado a estudar medicina na juventude, foi ainda, para além de grande poeta, um consagrado tradutor de autores russos, italianos, franceses, ingleses e romenos. Entre muitos dos grandes poetas que traduziu, encontra-se também Fernando Pessoa.

Bibliografia de Paul Celan

Sven Hassel

Sven Hassel

Sven Hassel

Ao cumprir hoje 94 anos, destacamos um escritor dinamarquês, muito lido nos anos 70 e 80, cujos romances, alegadamente autobiográficos, resultam da sua experiência militar, durante a 2.ª Guerra Mundial, ao serviço do exército nazi, em que se alistou voluntariamente, em 1937, para escapar do desemprego e depois de ter de se naturalizar alemão. Mais tarde, veio a render-se aos soviéticos, tendo sido ferido em combate várias vezes, nas diversas frentes de batalha em que esteve envolvido.

A sua escrita é insuperável na narração das tensões bélicas e na descrição detalhada e brutal dos horrores da guerra e pode ser considerado, definitivamente, um grande mestre no seu género literário. Apesar da popularidade que alcançou, recentemente tem-se polemizado, no seu país, a veracidade da sua biografia, assim como a autenticidade da sua obra. Desde 1964, vive em Barcelona e já escreveu 14 livros, traduzidos em 17 línguas e publicados em 50 países, de que se venderam mais de 52 milhões de exemplares.

Bibliografia de Sven Hassel

Marcel Pagnol

«A razão pela qual algumas pessoas acham tão difícil serem felizes é porque estão sempre a julgar o passado melhor do que foi, o presente pior do que é e o futuro melhor do que será.»

Marcel Pagnol

Marcel Pagnol

Relembramos hoje, 37 anos após a sua morte, este insigne escritor, dramaturgo e cineasta francês, cujas principais obras foram convertidas ao cinema, designadamente a sua autobiografia, “Souvenirs d’enfance”, uma série de 4 romances.

Bibliografia de Marcel Pagnol

Karen Blixen

“O amor na juventude é um assunto insensível. Nessa idade, bebemos de sede, ou para nos embriagarmos; só mais tarde, nos ocupamos com a individualidade de nosso vinho.”

Karen Blixen

Karen Blixen

A escritora de origem dinamarquesa que hoje destacamos, no 126.º aniversário do seu nascimento e que veio a adoptar o pseudónimo de Isak Dinesen, ficou mundialmente famosa por ter escrito o romance “Out of Africa”, traduzido para português como “África Minha” e que originou o não menos famoso filme homónimo, (realizado por Sydney Pollack, com Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer nos papéis principais) e que é, em boa parte, autobiográfico.

Teve uma juventude privilegiada e uma educação sofisticada e ganhou a sua condição aristocrática pelo casamento de conveniência com um barão dinamarquês, de quem veio a divorciar-se mais tarde e que a levou a viver para o Quénia. Começou então a apaixonar-se por África, ao princípio, apenas por via do desporto de moda da elite social, os safaris, mas, depois, através da convivência com um homem que conheceu em Nairobi, Denys Finch Hatton, piloto de aviação e com quem viria a manter, naquele país, uma relação intensa, conturbada e trágica.

Atormentada pela Sífilis que herdara, possivelmente do seu pai, ou do marido, teve de abandonar o continente africano, fixando-se definitivamente no seu país de origem e vindo a morrer aos 77 anos, muito debilitada por uma úlcera gástrica.

Embora tenha redigido esporadicamente para jornais dinamarqueses, foi com “Gotic Tales” (1934) que realmente iniciou a sua carreira literária e muitos dos seus livros posteriores foram publicados simultaneamente em inglês e em dinamarquês. Nomeada por duas vezes para o Nobel da Literatura, não o ganhou provavelmente devido à sua impopularidade entre alguns membros da Academia Sueca.

Bibliografia de Karen Blixen

Peter Ustinov

“A coragem é frequentemente falta de visão, enquanto a cobardia, em muitos casos, se baseia em boa informação.”

Peter Ustinov

Peter Ustinov

Bem a propósito do “Dia Mundial da Voz” que hoje se celebra, destacamos nesta data e quando cumpriria 90 anos, um autor inglês, mas que ficou sobretudo famoso como actor de teatro e de cinema, tendo inclusive sido premiado com dois Óscares da Academia de Hollywood. Dono de um talento muito versátil, foi também dramaturgo, encenador, comediante, pintor, fotógrafo e apresentador, guionista, ou realizador de filmes. O seu papel mais popular veio a ser o do singular detective belga Hércules Poirot, brilhantemente criado pela escritora Agatha Christie.

Deixou escritos mais de 20 livros, na maioria romances ou peças de teatro e, de entre os quais, uma autobiografia, “Dear Me”, que se revelou um best-seller. De ascendência muito multi-nacional, tudo menos britânica, como costumava dizer, era um verdadeiro cosmopolita, falava inglês, francês, alemão, italiano, russo e espanhol e foi ainda embaixador da UNICEF por mais de 30 anos, tendo-lhe sido concedido, em 1990, pela rainha Isabel II, o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico.

Bibliografia de Peter Ustinov

Jean Genet

“O que precisamos é de ódio, dele nascerão as nossas ideias.”

Jean Genet

Jean Genet

Escritor e dramaturgo francês, filho ilegítimo de um operário e de uma costureira, foi abandonado aos cuidados de uma instituição pública. Adotado por uma família rural que alimentou a esperança de o ver pronunciar os votos do sacerdócio, desapontou todas as suas expectativas aos dez anos de idade, ao ser condenado a uma pena de cinco anos de reformatório por roubo.

Pelo caminho, passou pequenas temporadas em estabelecimentos prisionais, acusado de roubo, homossexualidade, contrabando e vadiagem. Decidiu começar a escrever no ano de 1939, dedicando-se na fase inicial da sua carreira à produção de obras de carácter autobiográfico.

Em 1948, foi condenado a prisão perpétua como resultado de uma acumulação de penas, já que havia estado presente no banco dos réus cerca de dez vezes pelo crime de furto qualificado.

Acarinhado por escritores de renome como Jean-Paul Sartre, André Gide e Jean Cocteau, que assinaram uma petição de amnistia ao Presidente da República, o autor foi libertado.

Tido por Sartre como o protótipo do homem existencialista, falamos de Jean Genet quando passam 25 anos da sua morte.

Bibliografia de Jean Genet

Soeiro Pereira Gomes

Soeiro Pereira Gomes

Soeiro Pereira Gomes

Escritor, político, cidadão, luta contra o regime salazarista e defende a causa dos explorados e oprimidos. Foi um dos mais coerentes e claros exemplos da ficção neo-realista em Portugal.

Debruça-se sobre o ambiente dos meios industriais e sobre a transição das populações do campo para a cidade. “Engrenagem”, que é um romance inacabado, centra-se nesta transição, esquematizando o impacto da implantação de uma fábrica num ambiente rural. Nele também se abordam os problemas causados pelo impacto ambiental da industrialização.

No entanto, a sua obra maior é “Esteiros”, publicado em 1941, com ilustração de Álvaro Cunhal. «Dedicado aos “filhos dos homens que nunca foram meninos” o romance acompanha (…) as deambulações de um grupo de miúdos (…), cuja condição social lhes impõe, em vez da escola, o trabalho numa rudimentar fábrica de tijolos à beira-Tejo. É certo que algum primarismo de processos construtivos, bem como algum esquematismo, são reconhecíveis no romance (…). Tudo isso, porém, “Esteiros” transcende pela terrível verdade humana de um grupo de crianças que responde à violência do sistema social através de uma solidariedade alimentada por uma permanente derrogação à moral social dominante (…)» (in  http://www.citi.pt/)

Grande fumador, acaba por ser vítima de cancro pulmonar, agravado pelas dificuldades da vida clandestina. Encontra-se sepultado em Espinho, terra que o acolheu durante a infância. Da sua sepultura consta o seguinte epitáfio “A TUA LUTA FOI DÁDIVA TOTAL”.

Falamos de Soeiro Pereira Gomes, quando passam 102 anos do seu nascimento.

Bibliografia de Soeiro Pereira Gomes

Seamus Heaney

A ÁRVORE DOS DESEJOS

“Recordei-a como a árvore dos desejos que morreu
E vi-a subir, inteira, até ao céu,
Deixando um rasto de tudo o que se cravara

Por cada carência, uma e outra vez, na têmpera
Da sua casca e sâmago: moeda, alfinete e prego
Desfraldaram dela como uma cauda de cometa

Recém-cunhada e dissolvida. Tive uma visão
De uma ramada aérea atravessando húmidas nuvens,
De rostos erguidos, onde a árvore estivera.”

(tradução de Rui Carvalho Homem)

Seamus Heaney

Seamus Heaney

É um poeta Irlandês, considerado um dos maiores em língua inglesa. Em 1995, recebeu o Prémio Nobel da Literatura, em 2006 conquistou o Prémio T.S. Eliot e em 2009 foi distinguido com o Prémio David Cohen que é atribuído de dois em dois anos pela homónima fundação britânica e que já havia distinguido anteriormente nomes como, V.S. Naipaul, Harold Pinter, Muriel Spark e Doris Lessing.

O impulso para escrever poesia manifestou-se apenas aos 23 anos, com o incentivo do crítico e então professor Philip Hobsbaum, mas a actividade poética não lhe retirou o gosto pela educação. O autor leccionou Literatura em diversas universidades, entre as quais, Harvard (Estados Unidos) e Oxford (Inglaterra).

Falamos de Seamus Heaney no dia em que celebra o seu 72.º aniversário.

Bibliografia de Seamus Heaney

Enrico Ferri

Enrico Ferri

Enrico Ferri

Foi um sociólogo criminal, jurista e político italiano. É considerado um dos grandes mestres do Direito Criminal, o principal representante da escola positivista no Direito Penal e o criador da sociologia criminal.

Participou em múltiplos congressos, junto com o seu mestre e amigo, Cesare Lombroso, com quem estudou o crime e as suas causas, como o clima, idade, raça, sexo, psicologia, densidade populacional e condições político-económicas.

Morreu em Roma, a 12 de Abril de 1929, deixando uma obra que influenciou profundamente a legislação penal de diversos países e muitos juízes, promotores, advogados e pessoas ligadas à área do Direito Criminal, que estudam e recomendam a leitura dos seus livros.

Quando passam 82 anos da sua morte, relembramos Enrico Ferri.

Bibliografia de Enrico Ferri

Kurt Vonnegut

«Cuidado com o que se finge ser, porque acaba-se sendo o que se finge ser.»

Kurt Vonnegut

Kurt Vonnegut

Foi um dos poucos grandes mestres da literatura norte-americana contemporânea e, sem ele, a própria expressão «literatura norte-americana» perderia parte do sentido.

Feito prisioneiro durante a batalha de Bulge, na 2.ª Guerra Mundial, viveu o bombardeamento de Dresden. Ele e outros companheiros aliados conseguiram sobreviver, escondendo-se num matadouro de gado subterrâneo, a base para o livro ”Matadouro 5” (Slaughterhouse Five), publicado em 1969, que o tornou famoso e considerado um dos melhores romances escritos em língua inglesa do século XX.

De entre os seus outros livros, desctacam-se obras de sucesso como, ”Café da manhã dos Campeões”, ”Um Homem sem Pátria”, ou ”Galápagos”, entre outros.

Quando passam 4 anos da sua morte, relembramos Kurt Vonnegut.

Bibliografia de Kurt Vonnegut

Paul Theroux

«Os turistas nunca sabem onde estiveram. Os viajantes nunca sabem onde irão parar.»

Paul Theroux

Paul Theroux

É o mais célebre escritor do mundo de literatura de viagens e o supremo “globetrotter”. Viveu em África, na Ásia e na Europa e escreveu mais de quarenta obras, entre romances e livros de viagem. Das mais conhecidas serão o romance “A Costa do Mosquito”, adaptado para o cinema por Peter Weir, com Harrison Ford no elenco, “O Velho Expresso da Patagónia”, ou “Viagem Por África”.

Escuteiro na juventude, foi voluntário no Peace Corps, tendo chegado a estar envolvido num golpe de estado frustrado contra o presidente do Malawi, na sequência do que foi deportado para o Uganda e, pouco depois, a sua mulher grávida escapou por pouco da morte, num tumulto popular, o que o levou a trocar África por Singapura, onde prosseguiu o ensino universitário de Inglês. Entretanto, havia iniciado uma longa amizade com o prémio Nobel V. S. Naipaul, que conhecera em circunstâncias fortuitas e sobre quem escreveu livros contraditórios. Após ter passado uma temporada em Inglaterra, acabou por fixar-se nos Estados Unidos, onde actualmente é também apicultor, no seu rancho do Hawaii.

De opiniões controversas, ao longo da vida mostrou-se publicamente muito crítico em relação a temas políticos e sociais, como guerras em que os EUA participaram, ou movimentos de ajuda internacional. Destacamos este singular escritor, no dia em que completa 70 anos.

Bibliografia de Paul Theroux

Barbara Kingsolver

«O mínimo que se pode fazer na vida é tentar descobrir no que realmente se acredita. E o máximo que se pode fazer é viver de acordo com essa crença. Não ficando a admirá-la à distância, mas vivê-la na sua essência.»

Barbara Kingsolver

Barbara Kingsolver

É autora de sete obras de ficção, entre elas, “A Bíblia Envenenada”, que esteve mais de um ano na lista dos Best Sellers nos EUA, e “Verão Pródigo”, além de livros de poesia, ensaios e não ficção.

A sua obra já foi traduzida para mais de vinte idiomas e rendeu-lhe prémios literários e leitores fiéis por todo o Mundo. Em 2000, recebeu a Medal National Humanities, a maior honra americana por serviços prestados às artes e, em 2010, venceu, com “A Lacuna”, o Orange Prize, um dos prémios literários mais prestigiados do Reino Unido.

Falamos de Barbara Kingsolver, no dia em que festeja o seu 56.º aniversário.

Bibliografia de Barbara Kingsolver

Johannes Mario Simmel

Johannes Mario Simmel

Johannes Mario Simmel

Escritor e jornalista austríaco, autor de clássicos da literatura mundial, vendeu mais de 73 milhões de livros ao longo da carreira e sua obra foi traduzida para mais de 30 idiomas.

Metade de sua família morreu em campos de concentração nazis, durante a Segunda Guerra Mundial. Após o fim da guerra, trabalhou como tradutor para o exército americano na Áustria, seguindo depois para o jornalismo, antes de começar a publicar uma série de contos de ficção.

Além de “Nem só de Caviar Vive o Homem”, obra que lhe trouxe o reconhecimento internacional, publicou outros best sellers, como “Ainda Estamos Vivos”, ou “Ninguém é uma Ilha”.

Falamos de Johannes Mario Simmel, quando faria 87 anos.

Bibliografia de Johannes Mario Simmel

Gabriela Mistral

A imensa alegria de servir

“Toda natureza é um desejo de serviço.
Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.
Onde houver uma árvore para plantar,
planta-a tu;
onde houver um erro para corrigir,
corrige-o tu;
onde houver uma tarefa que todos recusem,
aceita-a tu.
Sê quem tira
a pedra do caminho,
o ódio dos corações
e as dificuldades dos problemas.
Há a alegria de ser sincero e de ser justo;
há, porém, mais do que isso,
a imensa alegria de servir.
Como seria triste o mundo
se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!
Não te seduzam as obras fáceis.
É belo fazer tudo
que os outros se recusam a executar.
Não cometas, porém, o erro
de pensar que só tem merecimento executar
as grandes obras;
há pequenos préstimos que são bons serviços:
enfeitar uma mesa.
arrumar uns livros.
pentear uma criança.
Aquele é quem critica,
este é quem destrói;
sê tu quem serve.
Servir não é próprio dos seres inferiores:
Deus, que nos dá fruto e luz,
serve.
Poderia chamar-se: o Servidor.
E tem os seus olhos fixos nas nossas mãos
e pergunta-nos todos os dias:
– Serviste hoje?”

Gabriela Mistral

Gabriela Mistral

Foi a primeira mulher da América Latina a ser distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (1945). Começou por tornar-se conhecida no seu país com “Sonetos de la Muerte” (1914).

Em 1922, é convidada pelo Ministério da Educação do México a trabalhar nos planos de reforma educacional daquele país. O Prémio Nobel transformou-a numa figura de destaque na literatura internacional e levou-a a viajar por todo o mundo e a representar o seu país em comissões culturais das Nações Unidas.

Tida como um exemplo de honestidade moral e intelectual e movida por um profundo sentimento religioso, a tragédia do suicídio do noivo, em 1907, marcou toda a sua poesia com um forte sentimento de carinho maternal, principalmente nos seus poemas em relação às crianças. Na sua obra, aparecem como temas recorrentes, o amor pelos humildes, ou um interesse mais amplo por toda a humanidade.

Quando passam 122 anos do seu nascimento, recordamos Gabriela Mistral.

Bibliografia de Gabriela Mistral

Hugo Claus

Gravo-te no Papel

“Minha mulher, meu altar pagão,
que toco e afago com dedos de luz,
meu bosque viçoso onde hiberno,
sinal neurótico, terno, impúdico,
gravo o teu bafo e o teu corpo no papel
em papel de música pautado.

E contra o teu ouvido sussurro horóscopos felizes
e falo-te de viagens à volta do mundo
com paragem na Áustria ou coisa do género.

Mas apesar dos deuses e dos signos do Zodíaco
a felicidade eterna também se cansa,
e eu não tenho casa, não tenho cama,
nem flores para te oferecer nos teus anos.”

Hugo Claus

Hugo Claus

Foi indicado em várias ocasiões como candidato ao Nobel da Literatura e, em 1998, foi galardoado com o Grande Prémio de Literatura da Comissão Europeia. Quando da publicação do seu primeiro livro, “A Caça aos Patos”, obteve logo uma das mais importantes distinções literárias do seu país, o “Leo J. Krijn Prijs”, bem como o reconhecimento internacional.

Escreveu, depois, uma vasta obra de romancista, que atingiu um dos seus momentos mais altos com a publicação de “O Desgosto da Bélgica”, romance traduzido em praticamente todo o mundo. Para além de romancista, foi também homem de teatro, poeta, cineasta e artista plástico e é hoje considerado uma das figuras cimeiras da cultura europeia.

Morreu num hospital de Antuérpia, aos 78 anos, depois de ter solicitado a eutanásia, por sofrer da doença de Alzheimer. No dia em que faria 82 anos, recordamos Hugo Claus.

Bibliografia de Hugo Claus

Maya Angelou

«É altura de os pais ensinarem os jovens, desde cedo, que na diversidade há beleza e força.»

Maya Angelou

Maya Angelou

É talvez a figura mais vibrante da poesia contemporânea nos Estados Unidos da América. Uma das temáticas recorrentes na sua obra gira em torno das pressões sociais exercidas sobre as mulheres afro-americanas. Autora de numerosos artigos literários e jornalísticos, escreveu também diversas peças para o teatro e televisão, bem como alguns volumes de poesia.

Nos anos 60, ficou amiga de Martin Luther King Jr. e Malcolm X. Serviu no SCLC, com o Dr. King e trabalhou durante anos para o Movimento dos Direitos Civis. Também nos anos 60, trabalhou e viajou por África, como jornalista e professora, ajudando vários movimentos de independência africanos.

Destacamos, Maya Angelou no dia em que comemora o seu 83.º aniversário.

Bibliografia de Maya Angelou

Luís de Sttau Monteiro

«Procuro com a mão o despertador que está a tocar há mais de meio minuto. Encontro-o entre um livro e o copo de água que me colocam todas as noites sobre a mesinha-de-cabeceira. Carrego num botão e o silêncio volta a entrar no meu quarto. Sei que já não posso readormecer. O meu despertador toca invariavelmente às oito de manhã, todos os dias, faça sol ou faça chuva.

É uma das invariáveis da minha vida, tão invariável como o amor da Fernanda, como os jantares de família nos dias santos, como o som do piano da vizinha aos domingos.

Não há nada a fazer. Atiro com a roupa ao chão e procuro, com o pé, o chinelo que deve estar algures ao lado da cama.»

(in “Um Homem não chora”, 1960)

Luís de Sttau Monteiro

Luís de Sttau Monteiro

«Dramaturgo incontornável do século XX português mas cujo carisma literário também se impôs no romance, na crónica e no jornalismo» (Gabriela Seara), viu boa parte dos seus livros serem banidos, por razões políticas, pelo regime de Salazar e chegou mesmo a ser preso, mais que uma vez, pela PIDE, tendo tomado conhecimento na prisão do prémio com que a APE distinguira a sua peça “Felizmente há Luar!”, considerada (Fernando Pinto do Amaral) um dos cem livros Portugueses do Século XX. A sua obra literária, em que também se destacam, por exemplo, “Angústia para o Jantar” ou “E se For Rapariga Chama-se Custódia”, constituiu-se numa crítica satírica, cáustica e impressiva da sociedade portuguesa das décadas de 60 e 70.

Foi jornalista, cronista, romancista, crítico gastronómico, tradutor, encenador, advogado e até corredor de automobilismo e popularizou-se muito com a sua participação no júri do, não menos popular, concurso televisivo “A Visita da Cornélia”, apresentado por Raul Solnado, experiência que lhe agradou «(…) porque devido a esse programa fez grandes amigos, entre eles o José Jorge Letria. Claro que também ajudou muito o facto de o programa ter muita qualidade. Já não se fazem programas como na altura!» (in entrevista a alunos da Escola E. B. 2,3 Luís de Sttau Monteiro).

Celebramos esta figura inesquecível das letras portuguesas, na data em que cumpriria 85 anos.

Bibliografia de Luís de Sttau Monteiro


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