Luís de Sttau Monteiro

«Procuro com a mão o despertador que está a tocar há mais de meio minuto. Encontro-o entre um livro e o copo de água que me colocam todas as noites sobre a mesinha-de-cabeceira. Carrego num botão e o silêncio volta a entrar no meu quarto. Sei que já não posso readormecer. O meu despertador toca invariavelmente às oito de manhã, todos os dias, faça sol ou faça chuva.

É uma das invariáveis da minha vida, tão invariável como o amor da Fernanda, como os jantares de família nos dias santos, como o som do piano da vizinha aos domingos.

Não há nada a fazer. Atiro com a roupa ao chão e procuro, com o pé, o chinelo que deve estar algures ao lado da cama.»

(in “Um Homem não chora”, 1960)

Luís de Sttau Monteiro

Luís de Sttau Monteiro

«Dramaturgo incontornável do século XX português mas cujo carisma literário também se impôs no romance, na crónica e no jornalismo» (Gabriela Seara), viu boa parte dos seus livros serem banidos, por razões políticas, pelo regime de Salazar e chegou mesmo a ser preso, mais que uma vez, pela PIDE, tendo tomado conhecimento na prisão do prémio com que a APE distinguira a sua peça “Felizmente há Luar!”, considerada (Fernando Pinto do Amaral) um dos cem livros Portugueses do Século XX. A sua obra literária, em que também se destacam, por exemplo, “Angústia para o Jantar” ou “E se For Rapariga Chama-se Custódia”, constituiu-se numa crítica satírica, cáustica e impressiva da sociedade portuguesa das décadas de 60 e 70.

Foi jornalista, cronista, romancista, crítico gastronómico, tradutor, encenador, advogado e até corredor de automobilismo e popularizou-se muito com a sua participação no júri do, não menos popular, concurso televisivo “A Visita da Cornélia”, apresentado por Raul Solnado, experiência que lhe agradou «(…) porque devido a esse programa fez grandes amigos, entre eles o José Jorge Letria. Claro que também ajudou muito o facto de o programa ter muita qualidade. Já não se fazem programas como na altura!» (in entrevista a alunos da Escola E. B. 2,3 Luís de Sttau Monteiro).

Celebramos esta figura inesquecível das letras portuguesas, na data em que cumpriria 85 anos.

Bibliografia de Luís de Sttau Monteiro

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