Arquivo de Julho, 2010



Wole Soyinka

“O diálogo intercultural é um fenómeno humano. O que está em causa é a forma de pôr em prática e de melhorar esse diálogo. Espero que a comunidade internacional já tenha percebido que a hierarquia de culturas não existe. O reconhecimento das culturas desconhecidas ou estranhas avançou muito e há um conhecimento cada vez melhor dos fenómenos culturais. Isso significa que é necessário desenvolver e melhorar os mecanismos de troca cultural”.

Wole Soyinka

Escritor e poeta nigeriano, foi o primeiro negro a ganhar o prémio Nobel da Literatura, em 1986. A sua obra transita entre os mais diversos géneros literários: teatro, poesia, ensaio, novela, etc. A sua escrita é considerada cheia de vida e com um sentido de urgência. No dia em que comemora o seu 76.º aniversário, destacamos e damos os parabéns a Wole Soyinka.

Pablo Neruda

«Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.»

Pablo Neruda

Aos vinte anos e com dois livros publicados, tornou-se o poeta chileno mais conhecido. Com o mesmo impacto literário que obteve no seu país, conquistou a Europa e o resto do mundo. A sua poesia representa uma constante mudança, relacionada com as experiências da sua vida. Recebe, em 1971, o Prémio Nobel da Literatura. No 106.º aniversário do seu nascimento, evocamos o poeta Pablo Neruda.

Harold Bloom

«É um fenómeno de mercado. A maior parte dos livros para crianças à venda nas livrarias é idiota, não serve para nada, muito menos para suprir a necessidade de leitura de uma criança ou do leitor de qualquer faixa etária. Os livros estão sendo confeccionados para vender e tornarem-se sucessos no cinema e na televisão. Isso nada mais é que uma máscara que oculta o rosto cada vez mais estúpido da era da informação. Os tais livros infantis ajudam a destruir a cultura literária. (…) Diferenciar livros para crianças e para adultos foi útil na divisão do mercado do século passado, mas hoje encobre um facto muito grave: o de que a estupidez está acabando com a cultura literária. As crianças de hoje não são mais burras que as de antigamente. O problema está em vencer modismos e chamar a atenção para bons exemplos literários. Talvez a queda dos índices de leitura se deva aos maus exemplos que os pais estão dando aos seus filhos.»

(Harold Bloom in entrevista a “ÉPOCA”).

Harold Bloom

Harold Bloom é o crítico literário mais popular do mundo. Controverso, frontal e provocador, fez furor em 2000 ao publicar, no The Wall Street Journal, um ensaio em que condenava os livros com o personagem Harry Potter, da inglesa J.K. Rowling. Amigo pessoal de José Saramago, mas seu veemente crítico político, disse dele, em 2003, que “era, em sua opinião, o mais talentoso escritor vivo daquele momento, (…) um talento que lembrava Shakespeare.” Hoje, damos os parabéns a Bloom, quando completa 80 anos.

“Garota de Ipanema” por Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!

Vinicius de Moraes

Foi diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor. Uma das figuras mais importantes da cultura brasileira, compôs, junto com Tom Jobim, a música ‘Garota de Ipanema’, símbolo de uma época. Relembramos “o poeta da paixão”, 30 anos após a sua morte.

Giovanni Papini

«O homem deseja e odeia a verdade. Quer mentir aos outros – quer que o enganem (prefere a ficção à realidade), mas por outro lado receia o engano, quer o fundo das coisas, o verdadeiro verdadeiro, etc. Somente a razão conduz à verdade. Mas só os fanáticos, os visionários e os iluminados fazem as coisas grandiosas, mudanças, descobertas. A verdade, de tanto se tornar necessária, conduz à secura, à dúvida, à inércia – à morte.
É muito natural que os homens odeiem aqueles que dizem ou tentam dizer a verdade. A verdade é triste (dizia Renan) – mas, com maior frequência, é horrível, temível, anti-social. Destrói as ilusões, os afectos. Os homens defendem-se como podem. Isto é, defendem a sua pequena vida, apenas suportável à força de compromissos, de embustes, de ficções, etc. Não querem sofrer, não querem ser heróis. Rejeição do heroísmo-mentira.»
in ‘Relatório Sobre os Homens’

Giovanni Papini

Escreveu mais de 60 livros, sendo que alguns, como “Gog”, “Palavras e Sangue”, “Trágico Cotidiano”, “Juízo Final” (contos) e “Um Homem Acabado” (autobiografia), são considerados entre as melhores obras em italiano no século XX. Admirado por Jorge Luís Borges – que fez questão de colocá-lo como segundo autor editado na sua famosa colecção Biblioteca de Babel – recordemos Giovanni Papini, 54 anos após a sua morte.

Arthur Conan Doyle

«Quando já eliminaste o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, só pode ser a verdade.»

Arthur Conan Doyle

Famoso pelos personagens Sherlock Holmes e Doutor Watson, criou um novo género de narrativas policiais que são denominadas científicas. Notável contador de histórias, destacamos, aos 80 anos da sua morte, Arthur Conan Doyle.

A Solidão tem Fim

«Este livro foi escrito há quinze anos atrás. Sofri uma tempestade cerebral, durante uma época de tempestades climatéricas que deixavam meu centro de saúde em Itirapina às escuras e vazio de doentes. À luz de uma minúscula vela, as folhas de um antigo formulário em desuso foram inundadas de palavras que destilavam através da minha caneta. O manuscrito adormeceu no fundo de uma gaveta tão rápido como foi escrito. O tempo passou, uma miúda nasceu e atravessamos o oceano. (…) Reescrever o livro em português nativo, representou um reencontro com o falar dos meus avós, pais, tios e patrícios. Os personagens de “A Solidão Tem Fim” vivem em espaços do Brasil desconhecidos pela maioria dos brasileiros e apresentam costumes peculiares. A linguagem característica dessas regiões obrigou-me a referenciar algumas palavras, outras não são referenciadas, mas no contexto consegue-se perceber o sentido que têm. Espero que o leitor aprecie esta singela história.» Luiz Cruz

Escrito por Luiz Cruz, “A Solidão tem fim” é uma colcha de retalhos das vivências do autor. Uma auto-publicação, através do SitiodoLivro.pt, onde os personagens, abandonados pelas circunstâncias da vida, fazem da solidão um mote para um dia encontrarem o final do conto de fadas “e viveram felizes para sempre.”

Matilde Rosa Araújo (1921 – 2010)

Matilde Rosa Araújo, pedagoga, escritora e poeta, por alguns considerada como a “fada-madrinha da literatura infantil”, faleceu esta terça-feira aos 89 anos, vítima de doença prolongada.

Matilde Rosa Araújo

William Faulkner

«A sabedoria suprema é ter sonhos bastante grandes para não se perderem de vista enquanto os perseguimos.»

William Faulkner

É considerado, ao lado de James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust e Thomas Mann, um dos maiores escritores do século XX e recebeu o Prémio Nobel da Literatura de 1949. Para além dos temas da morte, da violação, do roubo, etc., o que em Faulkner importa é o olhar, o seu peculiar modo de se aproximar à realidade, que pode ser cheio de pavor, vertiginoso ou cómico. Relembramos William Faulkner, 48 anos após a sua morte.

João Sena

Acrescentámos ao nosso catálogo 3 interessantes livros, deste autor inesperado, a quem Joaquim Letria chamou “um oficial de Cavalaria que, depois de arrumar as botas altas, meteu esporas a um galope narrativo apaixonante” e escritos sob o pseudónimo Bernardino Louro, “um daqueles peregrinos portugueses que calcorrearam a Europa, a África e a Ásia, onde conheceu vidas e enriqueceu com experiências que soube guardar até as servir com um paladar único que o tempo valorizou, como acontece com os vinhos e as pipas de bom carvalho”.

O Caçador de Brumas, Por esta vida acima
(Abril 2006)

O Caçador de Brumas, Quando as Árvores Cresceram

(Novembro 2006)

Escritas na Areia
(Novembro 2009)

Jean Cocteau

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”

Frase paradigmática de Jean Cocteau. Foi poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, actor e encenador de teatro. Realizou sete filmes, entre os quais, La Belle et la Bête (A Bela e o Monstro, 1946), protagonizado pelo notável actor Jean Marais, Orphée (1950) e Le Testament d’Orphée (1960) e colaborou, enquanto argumentista ou narrador, em mais alguns, todos ricos em simbolismos e imagens surreais. É considerado um dos mais importantes cineastas de todos os tempos. Evocamos este extraordinário artista, no 121.º aniversário do seu nascimento.

Jean Cocteau


Monteiro Lobato

“Loucura? Sonho? Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.”

Monteiro Lobato

Destacámos, no 62.º aniversário da sua morte, “o maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos, autor comprometido com as grandes causas de seu tempo, dono de um estilo conciso e vigoroso, com forte dose de ironia e que utilizava uma linguagem clara e objetiva, compreensível ao grande público. Arrebatava o público com artigos instigantes, que hoje, vistos de longe, constituem um precioso retrato de época.”

Ramón Gómez de la Serna

«Como dava beijos lentos, duravam-lhe mais os amores • À morte não a ouvimos, porque já na intimidade da casa anda de chinelos • Olharam-se de janela a janela em dois comboios que iam em direcção opostas, mas tal é a força do amor que logo os dois comboios se puseram a andar para o mesmo lado • Sofá-cama: os sonhos ficam em baixo, a conversa em cima. • Nervosismo da cidade: não conseguir abrir o pacotinho de açúcar para o café. • Escrever é que nos deixem rir e chorar sozinhos. • Na escola, o colega da carteira atrás é quem nos faz a primeir radiografia. • Pôr as peúgas do avesso é ir para trás em vez de ir para a frente. • O primeiro beijo é um roubo. • À tardinha, passa em voo rápido uma pomba que leva a chave para fechar o dia. • A estrela cadente é uma malha que cai na meia da noite.»

Ramón Gómez de la Serna

Autor precoce (os primeiros textos datam de 1904) e fecundo – os seus livros, de todos os géneros, ultrapassam a centena – torna-se rapidamente célebre, sendo considerado nos anos 20 o mais importante escritor da sua geração. No 122.º aniversário do seu nascimento, relembrámos o escritor espanhol Ramón Gómez de la Serna.

Sophia de Mello Breyner Andresen

”Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz precipitado.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

«A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. A depuração, o equilíbrio e a limpidez da linguagem poética, a presença constante da Natureza, a atenção permanente aos problemas (…)» Uma das maiores poetisas portuguesas contemporâneas, um nome que se transformou em sinónimo de Poesia e de musa da própria poesia, que relembramos, 6 anos após a sua morte.

Exsurge Deus

Porque foi o Padre António Vieira julgado pela Inquisição?

Que pressões foram exercidas na Polónia?

O que se passou dentro da Igreja católica?

E em Portugal?

“Tudo começa na Polónia onde no início do séc. XVII surge um livro de autor anónimo de que consta um conjunto de orientações a que se diz que os Jesuítas devem secretamente obedecer a fim de que a Companhia de Jesus conquiste o Mundo. Passados alguns anos, em Portugal, aparece o Padre António Vieira a falar no Quinto Império, universal, totalizante, harmónico, onde cabem todas as raças e culturas, unidas num único reino cristão e católico espiritualmente unido pelo Papa e temporalmente pelo Rei de Portugal.”

Através do SitiodoLivro.pt, Henrique Salles da Fonseca auto-publica «Exsurge Deus», a sua segunda obra. Uma especulação histórica, em que se pretende que seja o leitor a descobrir onde começa a fantasia por ter acabado a realidade.

Louis-Ferdinand Céline

«A verdade é uma agonia sem fim. A verdade deste mundo é a morte. É preciso escolher: morrer ou mentir. E eu nunca me consegui matar.»

Louis-Ferdinand Céline

Foi um escritor e médico francês. Revolucionou o romance tradicional, ao utilizar um vocabulário, ao mesmo tempo vulgar e científico. Dotado de uma terrível lucidez, oscilante entre desespero e humor, violência e ternura, revolução estilística e real revolta. Relembramos Louis-Ferdinand Céline, conhecido simplesmente por Céline, 49 anos após a sua morte.


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