“Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.”
“(…) A linguagem de O’Neill, a mistura de picardia, ironia e melancolia, um lirismo muito pouco sentimental, e um jogo de aliterações a mostrar o contorcionismo possível das palavras, servem uma poesia de mão cheia, quase sem erros nem desperdícios, cruelmente original, intacta, apesar da mudança dos tempos e dos costumes. O poeta começou a escrever num tempo sem liberdade, um tempo de estupidez de um lado, e de lucidez do outro. (…)” (Clara Ferreira Alves)
Autodidacta e vanguardista, um dos fundadores do movimento surrealista em Portugal, tendência bem marcada na sua obra que, para além de poesia, inclui prosa, crónicas, traduções e antologias, quis ser marinheiro e tornou-se publicitário, como modo de vida profissional. É da sua autoria o famoso lema «Há mar e mar, há ir e voltar». Hoje, fazem 24 anos que morreu.







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